O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Kaja Kallas teria uma “tarefa difícil” se liderasse negociações entre UE e Rússia. Os 27 países da União Europeia seguem divididos sobre se devem iniciar conversas diretas com Moscou para tratar do fim da guerra na Ucrânia.

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A possibilidade de negociações entre a União Europeia e a Rússia sobre a guerra na Ucrânia voltou ao centro do debate político — e também provocou uma reação direta de Moscou.
O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, não seria a pessoa ideal para liderar possíveis negociações com a Rússia. O comentário surge justamente quando governos europeus ainda discutem se o bloco deve abrir um canal diplomático direto com Moscou.
Peskov declarou que Kallas teria dificuldades se assumisse o papel de negociadora em conversas com a Rússia.
Segundo ele, seria do próprio “interesse” da diplomata não assumir essa função, acrescentando que ela enfrentaria “um período difícil” nesse papel. O porta‑voz também lembrou que o presidente russo, Vladimir Putin, já afirmou que um possível interlocutor deveria ser alguém que não tenha feito declarações fortemente hostis contra a Rússia.
Ao mesmo tempo, o Kremlin avaliou como positivo o fato de líderes europeus estarem discutindo a possibilidade de diálogo com Moscou. Para Peskov, esse debate indica que a ideia de negociações começa a ganhar espaço na política europeia, ainda que esteja em estágio inicial.
Dentro da UE, a discussão sobre conversar diretamente com a Rússia está longe de um consenso.
Alguns governos defendem que abrir negociações agora poderia enfraquecer a posição da Ucrânia ou reduzir a pressão internacional sobre Moscou. Outros argumentam que manter canais diplomáticos abertos pode ser necessário para alcançar uma solução duradoura para a guerra.
Essa divergência dificulta a formação de uma posição comum entre os 27 Estados‑membros do bloco — incluindo decisões sobre quando iniciar conversas, quais condições exigir e quem representaria a UE nas negociações.
O debate envolve várias lideranças do continente e revela diferenças de estratégia dentro do bloco.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, tem pressionado os governos a definirem uma posição clara, defendendo que a UE precisa decidir se pretende — e de que forma — se envolver em negociações com a Rússia.
Outros líderes, como o presidente francês Emmanuel Macron e o presidente da Finlândia Alexander Stubb, também participam da discussão mais ampla sobre a possibilidade de diálogo direto com Moscou no futuro, embora ainda não exista consenso entre os países europeus.
Já Kaja Kallas tem adotado uma postura cautelosa. Ela afirma que a União Europeia ainda não está pronta para negociar, porque primeiro os países do bloco precisam definir objetivos comuns e demandas claras.
“Primeiro, antes de discutirmos com a Rússia, precisamos discutir entre nós sobre o que queremos falar com eles”, afirmou ao explicar a posição atual da UE.
Autoridades russas também indicaram preferência por interlocutores considerados menos confrontacionais.
O presidente Vladimir Putin chegou a sugerir que o ex‑chanceler alemão Gerhard Schröder poderia atuar como mediador entre a Rússia e a Europa. Para Moscou, o ideal seria alguém em quem os europeus confiem e que não tenha adotado uma postura abertamente hostil em relação ao país.
A sugestão ilustra a preferência do Kremlin por figuras políticas que considera mais abertas ao diálogo.
A União Europeia deve avançar nessa discussão em breve.
Os ministros das Relações Exteriores da UE planejam debater oficialmente a possibilidade de negociações diretas com a Rússia durante uma reunião informal marcada para o fim de maio de 2026.
O encontro deve servir para avaliar se o bloco está pronto para iniciar conversas com Moscou e quais seriam as condições ou exigências apresentadas pela UE caso as negociações avancem.
Até que essas divergências internas sejam resolvidas, o papel da União Europeia em possíveis negociações sobre a guerra na Ucrânia continua indefinido — algo que os comentários recentes do Kremlin acabaram evidenciando ainda mais.
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O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Kaja Kallas teria uma “tarefa difícil” se liderasse negociações entre UE e Rússia.
O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Kaja Kallas teria uma “tarefa difícil” se liderasse negociações entre UE e Rússia. Os 27 países da União Europeia seguem divididos sobre se devem iniciar conversas diretas com Moscou para tratar do fim da guerra na Ucrânia.
Ministros das Relações Exteriores da UE devem discutir formalmente a possibilidade de negociações com a Rússia em uma reunião informal no fim de maio de 2026.