Apesar das críticas, Teerã disse à ONU que continua envolvido no processo de negociação. Durante a conversa telefônica, Araghchi também atualizou Guterres sobre o estado das tratativas e os esforços diplomáticos em andamento para reduzir as tensões entre os dois países.
As negociações ocorrem semanas depois de um cessar‑fogo firmado em abril, que interrompeu combates ativos, mas ainda não resultou em um acordo permanente.
O Paquistão passou a desempenhar um papel importante como intermediário entre Washington e Teerã.
As negociações incluíram reuniões mediadas por Islamabad e encontros diretos realizados na capital paquistanesa, com o objetivo de reduzir as tensões e explorar possíveis compromissos.
Autoridades paquistanesas também se envolveram diretamente no processo. O chefe do Exército do país chegou a viajar a Teerã durante o período de negociações — um movimento visto como tentativa de incentivar o diálogo e evitar uma escalada militar.
Nos bastidores, mediadores discutem propostas para reduzir as tensões imediatas enquanto deixam questões mais difíceis para etapas posteriores.
Uma das ideias relatadas seria priorizar a reabertura do Estreito de Hormuz e a estabilização da segurança regional, deixando para depois as negociações detalhadas sobre o programa nuclear iraniano.
Grande parte da urgência diplomática gira em torno desse estreito corredor marítimo que conecta o Golfo Pérsico ao oceano aberto.
O Estreito de Hormuz é a principal rota de exportação de energia da região e normalmente transporta cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.
Por isso, qualquer interrupção — ou mesmo o risco dela — pode ter consequências globais. Desde o cessar‑fogo, as negociações ainda não conseguiram restaurar completamente o fluxo normal de navegação na área, aumentando a pressão por um acordo.
Uma interrupção prolongada poderia:
O processo diplomático ocorre em um momento delicado. Relatos indicam que os Estados Unidos consideraram novos ataques militares, o que aumenta o temor de que as negociações possam fracassar e dar lugar a uma nova fase de confronto.
Por enquanto, os esforços de mediação — especialmente os conduzidos pelo Paquistão e outros atores regionais — buscam evitar uma escalada e construir um acordo gradual.
Mesmo assim, questões centrais como sanções, garantias de segurança e o futuro do programa nuclear iraniano continuam sem solução. Enquanto esses pontos permanecem em aberto, o risco de instabilidade regional e de impacto no fornecimento global de energia continua elevado.