Esse déficit físico virou de cabeça para baixo o equilíbrio do mercado mundial. Um superávit de 1,8 milhão de bpd em 2025 se transformou em um déficit de 9,6 milhões de bpd no segundo trimestre de 2026 . Com a disparada dos preços de combustíveis refinados, a demanda global já está caindo cerca de 1,7 milhão de bpd no segundo trimestre, com uma projeção de queda de 100.000 bpd no acumulado do ano
. Os analistas do Goldman são diretos: “perdas de demanda ainda mais acentuadas podem ser necessárias se o choque de oferta persistir”
.
O esvaziamento das reservas mundiais de petróleo acontece em um ritmo nunca antes registrado. Em abril de 2026, os estoques globais caíram a uma velocidade de 11 a 12 milhões de bpd . Em maio, com o fluxo em Ormuz a apenas 5% do normal, a taxa de queda continuou historicamente extrema, a 8,7 milhões de bpd — quase o dobro da média desde o início do conflito
. Essas queimas rápidas de estoque estão corroendo as reservas globais e preparando o terreno para uma grave escassez de combustível, caso o tráfego marítimo não volte ao normal
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O Goldman Sachs revisou progressivamente suas projeções de preço à medida que a crise se aprofundou. As previsões do banco traçam múltiplos cenários de acordo com diferentes prazos:
Daan Struyven, co-diretor de Pesquisa de Commodities Globais do Goldman Sachs, observou que o mercado agora precifica um prêmio de risco significativo — cerca de US$ 14 por barril — para compensar a possibilidade de uma parada total de quatro semanas no fluxo de Ormuz .
A gravidade da situação motivou um raro e coordenado alerta das principais instituições econômicas globais. Em 29 e 30 de maio de 2026, os líderes do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e da Agência Internacional de Energia (AIE) emitiram uma declaração conjunta após reuniões de alto nível sobre o conflito . As três instituições advertiram que a disrupção contínua no transporte de petróleo por Ormuz representa riscos sérios para a segurança de combustíveis, a estabilidade dos mercados e a resiliência econômica geral, em especial com a chegada dos meses de pico de consumo no verão do Hemisfério Norte
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“Os estoques globais de petróleo estão sendo drenados em um ritmo recorde em resposta à grande perda de suprimentos pelo Estreito de Ormuz”, afirmaram os líderes. “Se os fluxos de navegação não voltarem ao normal, a rápida e contínua depleção dos estoques globais de petróleo, antes do pico de demanda do verão, apresentará riscos crescentes para a segurança energética.”
O alerta destacou explicitamente a vulnerabilidade de países em desenvolvimento e mercados emergentes a potenciais faltas físicas de combustível e a disparadas nos custos de importação .
A crise não atinge a todos da mesma forma. Veja como o choque de oferta se propaga pelas principais regiões:
Por ora, o mercado global de petróleo permanece em território totalmente desconhecido. O Goldman Sachs sinaliza que um reequilíbrio fundamental exigirá ou o retorno completo da oferta ou uma significativa dose adicional de destruição de demanda — uma realidade que já se reflete nos preços do Brent beirando os US$ 106 e na liquidação recorde dos estoques mundiais.