Nas entrevistas em que discutiu o tema, Liu usou repetidamente o termo “paradigma” — um conceito comum entre pesquisadores de tecnologia — para se referir a avanços que mudam a maneira como a IA é construída e utilizada, e não apenas melhorias incrementais em desempenho.
Alguns exemplos recentes ajudam a entender essa ideia:
Esses avanços não apenas melhoraram métricas técnicas. Eles mudaram o comportamento dos usuários e criaram novos centros de gravidade na indústria.
Na visão de Liu, competir apenas lançando chatbots um pouco melhores não será suficiente. O verdadeiro avanço virá de criar a próxima categoria de produto ou tecnologia que reorganize todo o setor.
Durante anos, Liu Wei foi uma figura central nos esforços de IA da Tencent, especialmente no desenvolvimento do modelo de linguagem Hunyuan, um dos principais projetos de IA generativa da empresa.
Depois disso, fundou a startup Video Rebirth, focada em geração de vídeo por IA e no desenvolvimento de “world models” — sistemas capazes de representar e simular o mundo físico em ambientes digitais.
A empresa trabalha em modelos capazes de gerar vídeo com alto nível de fidelidade visual, consistência física e controle criativo, voltados para aplicações profissionais como publicidade, comércio eletrônico, cinema e animação.
A startup já levantou dezenas de milhões de dólares em financiamento inicial para desenvolver essas tecnologias e construir uma plataforma voltada a criadores profissionais, e não apenas a ferramentas experimentais para consumidores.
Esse movimento sugere que Liu vê vídeo generativo e modelos multimodais como possíveis candidatos a se tornar o próximo grande salto da inteligência artificial.
Apesar de reconhecer que a China está atrás na corrida atual dos LLMs, Liu não acredita que a disputa pela liderança em IA já esteja decidida.
Para ele, o progresso tecnológico acontece em ondas de paradigmas. Quando surge um novo avanço fundamental, a liderança global pode mudar rapidamente.
Por isso, a pergunta estratégica mais importante não é apenas:
Mas sim:
Se a China conseguir criar esse novo paradigma — seja em agentes autônomos, sistemas multimodais, modelos de mundo ou outra direção emergente — ela poderá redefinir o cenário competitivo em vez de continuar tentando alcançar líderes já estabelecidos.
Na visão de Liu, perder a fase atual dos LLMs não significa necessariamente perder o futuro da IA. O fator decisivo será quem produzir o próximo avanço que transforme toda a indústria.
A análise de Liu Wei reflete um debate maior dentro da comunidade global de inteligência artificial. Muitos analistas argumentam que os Estados Unidos ainda têm vantagem em modelos de ponta e infraestrutura computacional, enquanto a China tem avançado rapidamente na escala de implementação e na construção de um ecossistema próprio de modelos.
Nesse contexto, o alerta de Liu destaca um dilema clássico das corridas tecnológicas: alcançar o presente pode ser menos importante do que inventar o futuro.
Para ele, a verdadeira oportunidade não está em criar uma versão ligeiramente melhor dos modelos atuais — mas em descobrir o próximo paradigma que torne os sistemas atuais obsoletos.