GraphWorm
Durante a investigação, os pesquisadores conseguiram descriptografar mais de 400 mensagens no Discord associadas à operação, o que ajudou a entender como os invasores controlavam máquinas comprometidas e gerenciavam dados roubados.
Uma característica central das operações do Webworm é o uso de infraestruturas legítimas da nuvem para esconder atividades maliciosas.
A ESET identificou abuso de vários serviços conhecidos:
Essa abordagem permite que o tráfego malicioso se misture ao tráfego normal da rede. Em muitas organizações, bloquear totalmente serviços como Microsoft 365 ou Discord é impraticável, o que cria um canal persistente para os invasores.
A investigação aponta que o Webworm mudou seu foco geográfico e passou a mirar instituições governamentais na Europa.
Entre os países afetados estão:
Além disso, os pesquisadores também observaram atividade envolvendo uma universidade na África do Sul, indicando que a campanha pode ter alcance mais amplo.
Os relatórios públicos não identificam quais ministérios ou agências específicas foram comprometidos.
O Webworm está ativo desde pelo menos 2022 e, historicamente, utilizava malwares de acesso remoto tradicionais (RATs), como Trochilus e 9002 RAT (McRat).
Nos últimos anos, porém, os pesquisadores observaram uma mudança importante: o grupo passou a usar ferramentas de proxy e tunelamento, além de backdoors mais leves.
Essa evolução traz vantagens operacionais claras:
A campanha do Webworm ilustra uma tendência crescente na espionagem digital: esconder operações maliciosas dentro de serviços legítimos amplamente utilizados.
Quando o tráfego passa por plataformas confiáveis — como Discord, OneDrive ou APIs da Microsoft — ferramentas de segurança precisam diferenciar atividades normais de uso legítimo da mesma infraestrutura para ataques.
Como bloquear totalmente esses serviços muitas vezes não é uma opção, os atacantes ganham uma vantagem estratégica.
Segundo a ESET, o Webworm está adaptando suas operações exatamente nessa direção, adotando canais de comando e controle baseados em nuvem e ferramentas mais discretas, o que dificulta ainda mais a descoberta de campanhas de espionagem em andamento.
Com atacantes cada vez mais misturados ao tráfego legítimo, a defesa passa a depender mais de detecção comportamental, monitoramento de identidade e análise de anomalias, em vez de simples bloqueios por domínio ou endereço IP.