De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, entre fevereiro e outubro de 2024, Moucka e seus comparsas usaram credenciais de login roubadas por malware do tipo infostealer para acessar os dados de pelo menos 165 organizações que eram clientes da Snowflake, uma grande provedora americana de armazenamento de dados em nuvem .
A campanha mirou especificamente contas da Snowflake que não estavam protegidas por autenticação de dois fatores (MFA) . Uma vez lá dentro, Moucka baixou terabytes de dados, roubando bilhões de registros confidenciais de clientes
. A violação expôs os dados pessoais de pelo menos 100 milhões de pessoas
.
Entre as vítimas estavam algumas das maiores empresas da América do Norte: AT&T, Ticketmaster (Live Nation), LendingTree, Advance Auto Parts e o Neiman Marcus Group .
Só no caso da AT&T, Moucka admitiu ter roubado os registros de histórico de chamadas e mensagens de texto de mais de 100 milhões de clientes . Em outras violações, os dados roubados incluíam informações bancárias, números de carteira de motorista e números de CPF americano (Social Security)
. No total, o ataque envolveu cerca de 50 bilhões de registros de chamadas e mensagens de todas as vítimas
.
Os números financeiros do crime são reveladores. Moucka ganhou aproximadamente 495 mil dólares com suas atividades criminosas, combinando pagamentos de extorsão e venda de dados roubados no fórum BreachForums .
Embora seu ganho pessoal tenha ficado abaixo de meio milhão de dólares, o prejuízo para as empresas vítimas foi muito maior. As companhias reportaram mais de 9,5 milhões de dólares em perdas diretas relacionadas às violações . Em uma tática particularmente agressiva, Moucka e seus comparsas voltaram a extorquir pelo menos uma vítima uma segunda vez, usando dados roubados da família de um ex-funcionário público para aumentar a pressão
.
Moucka operava sob vários apelidos online, incluindo Alexander Moucka, Waifu e Judische . Ele foi preso em 30 de outubro de 2024 pelas autoridades canadenses em sua casa em Kitchener, Ontário, com base em um mandado de prisão provisório para extradição aos Estados Unidos
. Depois de concordar com a extradição, ele foi transferido para a custódia dos EUA em julho de 2025
.
O FBI e o Departamento de Justiça descreveram a operação de Moucka como uma conspiração generalizada de hacking envolvendo o roubo de "informações extremamente sensíveis" e pedidos de extorsão de milhões de dólares. Um diretor-assistente do FBI fez uma declaração enfática: "Esconder-se atrás de uma tela não é escudo contra a justiça" .
A sentença de Moucka está marcada para 27 de outubro de 2026 . Ele enfrenta uma pena mínima obrigatória de dois anos pelo roubo de identidade agravado, e os outros crimes podem somar até 30 anos adicionais, totalizando no máximo 32 anos
.
O caso também nomeia os comparsas John Edward Binns (também conhecido como irdev) e Cameron John Wagenius, que permanecem como réus separados na investigação em andamento .