Ela também ressaltou que questões mais amplas — incluindo os programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã — devem ser tratadas em qualquer solução duradoura.
O Estreito de Ormuz é um dos pontos de estrangulamento energético mais críticos do mundo. Interrupções nessa rota afetam o fluxo global de petróleo e gás e, por consequência, têm impactos diretos nas economias e no abastecimento de energia da Europa.
Por essa razão, restaurar a liberdade de navegação permanente, sem restrições ou tarifas, tornou-se uma exigência europeia fundamental nas negociações relacionadas ao conflito.
Do ponto de vista de Bruxelas, reabrir a via marítima é essencial não apenas para a estabilidade regional, mas também para evitar novos choques nos mercados globais de energia. A guerra e o bloqueio já elevaram a conta de importação de combustíveis fósseis da UE em impressionantes €22 bilhões em apenas 44 dias.
Mesmo que as rotas marítimas sejam reabertas, a UE não considera isso suficiente para um acordo abrangente. Von der Leyen indicou que o alívio das sanções não deve ser automático, argumentando que mudanças profundas e compromissos confiáveis por parte do Irã são necessários antes que a Europa considere aliviar a pressão.
A postura da UE reflete preocupações internacionais de longa data sobre o programa nuclear do Irã e o risco de que um acordo temporário possa deixar a questão sem solução. Para von der Leyen, é preciso ver uma "mudança fundamental no Irã" para se pensar em retirar sanções.
Os esforços diplomáticos entre Washington e Teerã fizeram algum progresso, mas diferenças significativas permanecem. Relatos sugerem que ambos os lados ainda estão divididos sobre termos específicos de um memorando de entendimento proposto, e fontes iranianas contestaram alegações de que um acordo já está amplamente acertado.
Por causa dessas discordâncias, as autoridades europeias têm sido cautelosas ao declarar que as negociações estão próximas de um avanço final. A agência de notícias semi-oficial iraniana Tasnim relatou que divergências sobre "duas ou três cláusulas" persistem.
Vários relatórios descrevem uma minuta de estrutura diplomática que se desdobraria em etapas:
Esse sequenciamento se alinha parcialmente com as prioridades europeias — especialmente a restauração do transporte marítimo —, mas também gera preocupações em Bruxelas. Se os compromissos nucleares forem adiados para fases posteriores, a UE teme que o acordo possa se tornar um arranjo temporário em vez de uma solução duradoura.
Em conjunto, as declarações de von der Leyen revelam uma abordagem cautelosa, mas favorável à diplomacia. A UE apoia amplamente as negociações entre os Estados Unidos e o Irã, mas quer garantias de que qualquer acordo trará estabilidade duradoura, e não apenas uma pausa de curto prazo nas tensões.
Na prática, a postura da Europa combina várias prioridades:
Resta saber se as conversas em andamento podem atender a essas condições, mas elas definem o parâmetro que a UE diz que qualquer futuro acordo EUA-Irã deve cumprir.