No entanto, pontos fundamentais permanecem indefinidos. Não foram confirmados publicamente:
Em vários relatos, autoridades chinesas e a própria Boeing não confirmaram imediatamente os detalhes do acordo anunciado por Trump.
Por isso, muitos analistas tratam o anúncio mais como um sinal político ou de negociação do que um contrato comercial finalizado.
Trump também mencionou discussões sobre compras adicionais de aeronaves e centenas de motores a jato da General Electric (GE) vinculados a esses aviões. Alguns relatos falaram em centenas de motores GE para equipar futuras aeronaves.
Mas, novamente, faltam confirmações públicas de contratos firmados, quantidades definitivas ou valores envolvidos. Sem pedidos oficiais ou planos de aquisição detalhados, analistas classificam essas declarações como propostas ou intenções ainda não verificadas.
Um resultado mais institucional da cúpula foi a proposta de criar conselhos conjuntos de comércio e investimento entre os dois países. Esses órgãos teriam a função de administrar disputas comerciais e discutir ajustes tarifários.
Segundo declarações após o encontro, essas estruturas poderiam explorar reduções tarifárias recíprocas em produtos específicos, em vez de uma revisão ampla de todo o sistema de tarifas entre os dois países.
A ideia seria criar um canal permanente para resolver disputas em setores considerados “não sensíveis”. Ainda assim, o plano não especifica:
A agricultura também apareceu como ponto central. Trump afirmou que a China compraria bilhões de dólares em soja e outros produtos agrícolas dos Estados Unidos, o que ele apresentou como um benefício direto para agricultores americanos.
Mas os anúncios não vieram acompanhados de compromissos detalhados — como volumes exatos, cronogramas ou mecanismos de garantia das compras.
Sem esses elementos, analistas observam que promessas desse tipo às vezes refletem compras comerciais que ocorreriam de qualquer maneira ou intenções dependentes de negociações futuras.
O próprio Ministério do Comércio da China descreveu vários resultados da visita — incluindo os temas de aeronaves, agricultura e tarifas — como “preliminares”.
Essa classificação geralmente significa que ainda faltam elementos essenciais de acordos econômicos formais, como:
Sem essas peças, especialistas consideram que a cúpula produziu mais impulso político do que compromissos econômicos vinculantes.
As tensões estruturais entre Estados Unidos e China continuam praticamente intactas. Analistas dizem que a reunião pouco avançou em questões fundamentais, como:
Especialistas ouvidos após o encontro afirmaram que a reunião pode ajudar a reduzir tensões no curto prazo, mas não produziu o tipo de acordo abrangente capaz de redefinir a rivalidade econômica entre os dois países.
A cúpula Trump–Xi produziu anúncios chamativos — principalmente sobre aviões da Boeing e comércio agrícola —, mas poucos contratos confirmados ou mudanças concretas de política.
Por enquanto, muitos dos resultados parecem ser compromissos iniciais, intenções de compra ou estruturas de negociação. Até que surjam contratos assinados, cronogramas claros ou reduções tarifárias específicas, analistas tendem a ver o encontro mais como um gesto diplomático e político do que um grande acordo comercial entre EUA e China.