Outra onda de problemas atingiu aeroportos na Bélgica, Espanha, Portugal, Irlanda e Alemanha, com mais de 1.284 atrasos e mais de 230 cancelamentos, deixando milhares de passageiros retidos em terminais .
Esse tipo de efeito dominó é comum na aviação europeia. Grandes aeroportos funcionam como centros de conexão com centenas de voos interligados por hora — portanto, qualquer desaceleração pode impactar rotas em vários países ao mesmo tempo.
Além dos fatores operacionais e climáticos, havia um problema estrutural mais amplo: o aperto no fornecimento de querosene de aviação (jet fuel).
A crise foi ligada a tensões geopolíticas no Oriente Médio e às interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo . O conflito elevou os preços do combustível e gerou temor de escassez no setor aéreo.
O combustível normalmente representa cerca de um terço dos custos operacionais de uma companhia aérea . Com os preços disparando, as empresas passaram a reduzir voos e capacidade.
Relatórios indicam que companhias aéreas cortaram cerca de 13.000 voos e aproximadamente dois milhões de assentos das programações de maio, tentando equilibrar custos e riscos de abastecimento .
Em alguns casos, os cortes foram massivos. O Lufthansa Group anunciou planos para cancelar cerca de 20.000 voos diante da alta no preço do combustível .
Essas reduções não explicam todos os atrasos diários, mas tiveram um efeito importante: diminuíram a capacidade de recuperação do sistema. Com menos aviões, tripulações e voos alternativos disponíveis, qualquer problema local tinha mais chance de virar uma crise maior.
Nem todas as empresas foram afetadas da mesma forma. Algumas tinham contratos de fornecimento de longo prazo ou estratégias de proteção financeira (hedge) que reduziram o impacto imediato.
A Brussels Airlines, por exemplo, informou ter garantido cerca de 80% de suas necessidades de combustível até o fim do ano por meio de hedge, o que ajudou a evitar cancelamentos imediatos apesar da volatilidade do mercado .
Outras companhias alertaram passageiros sobre possíveis aumentos de tarifas e mudanças na programação à medida que os custos subiam .
Para quem estava viajando, isso significava experiências muito diferentes dependendo da companhia aérea, da rota e do aeroporto.
As interrupções de maio de 2026 mostram como sistemas de aviação modernos podem falhar quando enfrentam pressões simultâneas.
Três fatores principais se reforçaram mutuamente:
Quando essas condições ocorrem ao mesmo tempo, o impacto se espalha rapidamente entre aeroportos e companhias aéreas. Um atraso em um grande hub pode afetar voos em vários países poucas horas depois.
Os problemas de maio não surgiram de repente. Ao longo da primavera de 2026, a aviação europeia já vinha sofrendo choques operacionais sucessivos.
Somados, esses fatores criaram um cenário no qual o sistema aéreo europeu estava particularmente vulnerável justamente no início da temporada de viagens de verão.
As grandes interrupções de voos na Europa em maio de 2026 não foram resultado de um único evento. Elas refletiram a convergência de vários riscos ao mesmo tempo:
Separadamente, cada um desses fatores é administrável. Juntos, porém, criaram um cenário em que até interrupções rotineiras podiam se transformar rapidamente em caos de viagens em escala continental.
Para passageiros, isso significou longas esperas em aeroportos e conexões perdidas. Para as companhias aéreas, foi um alerta sobre o quão vulnerável a aviação global pode se tornar quando clima, logística e geopolítica colidem ao mesmo tempo.