A primeira parada da rede principal começou em 28 de maio, durando aproximadamente 6 horas e 44 minutos . Um bug de travamento na lógica de cobrança de gás—especificamente na forma como o novo código de saldo lidava com o "gas smashing", processo que combina moedas de entrada para pagar as taxas de transação—fez com que todos os validadores entrassem em um ciclo de falhas (crash loop)
. A produção de blocos parou completamente. Cerca de US$ 1 bilhão em ativos na rede ficou temporariamente congelado
.
Os engenheiros identificaram o bug e implantaram um binário corrigido. Assim que mais de dois terços do valor em staking foi atualizado, a rede voltou ao ar . No entanto, a mesma causa raiz provocou uma segunda paralisação no final daquele dia
. A correção provisória havia sido desenhada para ser rápida, não completa, e o risco conhecido se materializou
.
Em 29 de maio, após uma correção mais estável para o bug de gás ter sido implantada e os validadores reiniciados, um bug latente e independente veio à tona. Os validadores não conseguiram preservar adequadamente o estado de aleatoriedade durante a reinicialização, provocando uma nova parada de consenso que durou mais de três horas e meia . A equipe então desenvolveu e implantou um segundo patch, dessa vez focado especificamente nesse problema de preservação de estado. Os validadores foram reatualizados entre 29 e 30 de maio até que a participação total fosse restaurada
.
O processo de recuperação foi uma corrida contra o tempo, enfrentando três falhas distintas:
Durante todo o incidente, a Fundação Sui enfatizou que nenhum fundo de usuário estava em risco, que nenhuma transação confirmada foi revertida e que os mecanismos de segurança das carteiras permaneceram operacionais .
As paralisações tiveram um efeito imediato e mensurável sobre o token SUI e o sentimento do mercado:
Em seu relatório e nos anúncios seguintes, a Fundação delineou várias medidas concretas para prevenir incidentes similares :
O relatório da Fundação Sui foi incomumente franco. Ao admitir que implantou intencionalmente um patch arriscado, a Fundação expôs uma tensão conhecida por muitas equipes de engenharia de alto risco: a pressão para restaurar o serviço rapidamente versus a disciplina para garantir que uma correção seja completa . Para uma blockchain que se posiciona para uso de nível institucional, o incidente levanta questões legítimas sobre a governança de atualizações, o rigor dos testes e se a postura de confiabilidade da rede está à altura de suas ambições
.
As salvaguardas anunciadas são um começo, mas sua eficácia só ficará clara na próxima vez que a Sui encarar uma atualização complexa sob os holofotes do mercado.