A Dell Technologies emergiu como a principal beneficiária dessa tendência. Sua transformação de fabricante de computadores pessoais para líder em infraestrutura de IA está sendo impulsionada por uma explosão na demanda por seus servidores otimizados para inteligência artificial. A empresa reportou um aumento de quase nove vezes na receita de IA em relação ao ano anterior, registrando US$ 24,4 bilhões em pedidos de IA no trimestre mais recente e saindo com uma carteira recorde de US$ 51,3 bilhões em servidores de IA . O CEO Michael Dell revelou que o total de pedidos em carteira saltou para US$ 62 bilhões, incluindo um único "megapedido" de US$ 6,5 bilhões . A companhia então aumentou sua projeção de receita com servidores otimizados para IA no ano fiscal de 2027 para US$ 60 bilhões, o que fez suas ações dispararem 39% em um único dia, elevando seu valor de mercado em cerca de US$ 80 bilhões .
A Intel está vivendo seu próprio renascimento, impulsionado não por um único produto, mas por uma reviravolta de alto risco em todo o seu negócio de fabricação de chips. Seu avançado nó de processo 18A (1.8nm) atingiu a produção em alto volume no início de 2026, um marco que muitos duvidavam ser possível . Esse salto tecnológico foi validado em maio, quando surgiram notícias de que a Apple está explorando os serviços de fundição da Intel para a produção de chips nos EUA, um movimento que fez as ações da Intel dispararem 14% em um único dia . Além do potencial de fundição, o negócio principal da Intel também está se beneficiando do ciclo de gastos com IA; a empresa está com a capacidade de CPUs para servidores esgotada para 2026 devido à demanda de hiperescaladores, e espera-se que os preços médios de venda subam . No entanto, o rali tem sido volátil, com uma projeção para o primeiro trimestre de 2026 que decepcionou os investidores, um lembrete de que a recuperação financeira da empresa ainda é um trabalho em andamento .
Do outro lado do Atlântico, a finlandesa Nokia executou uma das reinvenções mais radicais do ano. A empresa, por muito tempo conhecida como fabricante de equipamentos de telecomunicações, se reposicionou como uma especialista pura em infraestrutura de IA. A pedra angular dessa transformação é uma parceria estratégica com a Nvidia, que inclui um investimento de US$ 1 bilhão em ações da Nokia . A aliança visa integrar a tecnologia de IA da Nvidia às redes 5G e às futuras redes 6G da empresa. Para consolidar ainda mais sua nova identidade, a Nokia abriu seu Laboratório de Inovação em Redes de IA em Sunnyvale, na Califórnia, em maio — uma instalação desenvolvida com parceiros como AMD e Lenovo para testar e construir protocolos de rede com capacidade de IA . A inauguração do laboratório elevou a ação em 4,1% no dia e, combinado com os pedidos de IA que ultrapassaram € 1 bilhão, as ações da Nokia atingiram uma máxima de 16 anos, elevando seus ganhos no ano para mais de 138% .
Outras integrantes do grupo de "dinossauros" estão registrando ganhos semelhantes. Lenovo, Micron, Texas Instruments e Cisco — esta última, um dos chamados "Quatro Cavaleiros" da era ponto-com — estão vendo o preço de suas ações disparar, pois seus produtos se tornaram indispensáveis para a expansão da IA .
Este ressurgimento notável não é apenas uma coleção de ralis isolados; ele revela uma mudança estrutural na forma como o mercado vê a oportunidade da inteligência artificial.
Embora o momento seja inegável, a reavaliação de algumas dessas ações foi agressiva. O preço das ações da Intel é sustentado por seu potencial futuro, enquanto seus fundamentos atuais — incluindo uma divisão de fundição que ainda dá prejuízo — ainda não alcançaram esse otimismo . No caso da Dell, os investidores observarão atentamente se sua enorme carteira de pedidos de mais de US$ 60 bilhões pode ser convertida em receita e margens sustentáveis, especialmente com a persistência de restrições no fornecimento de componentes como memória . A durabilidade desses ralis depende de saber se essas explosões de receita podem se traduzir em lucratividade duradoura, e alguns analistas alertam que uma rotação para fora das posições mais concorridas ainda é um risco .