A remoção durou apenas algumas horas. Ainda naquela noite, o aplicativo voltou a aparecer na loja depois que o Telegram removeu o conteúdo apontado e baniu a conta que o publicou . Embora o episódio tenha sido breve, ele reacendeu as dúvidas sobre a moderação de conteúdo do Telegram e trouxe novamente à tona a situação jurídica de seu fundador, Pavel Durov, na França.
Usuários começaram a perceber que o Telegram não estava disponível para download por volta das 21h30, no horário do leste dos Estados Unidos, em 3 de agosto . Uma busca pelo aplicativo não retornava resultados, enquanto links diretos para sua página na App Store exibiam a mensagem de que a página não havia sido encontrada .
Monitoramentos independentes indicaram que o aplicativo chegou a ficar ausente das 175 vitrines regionais da App Store testadas em todo o mundo . Relatos mencionaram especificamente usuários nos Estados Unidos, na Índia, na Austrália e em Singapura .
A indisponibilidade atingiu novos downloads. Quem já tinha o Telegram instalado no iPhone ou no iPad continuou usando o aplicativo normalmente .
A Apple confirmou ao site 9to5Mac que a remoção ocorreu depois que sua revisão identificou material que violava as regras contra abuso sexual infantil. Em tradução livre, a empresa afirmou:
“Removemos brevemente o Telegram da App Store depois que nossa revisão encontrou conteúdo que viola nossas diretrizes rígidas que proíbem material de abuso sexual infantil. O aplicativo foi restaurado posteriormente, depois que o desenvolvedor removeu prontamente o conteúdo e baniu o usuário que o publicou.”
O Telegram confirmou que havia voltado à loja, mas não explicou o motivo da retirada. “O Telegram foi restaurado na App Store e deve voltar a ficar disponível para todos os usuários em breve”, declarou a empresa .
Mais tarde, o perfil oficial do aplicativo no X publicou a frase em inglês “Reports of my demise are greatly exaggerated” — algo como “Os relatos sobre a minha morte são muito exagerados” — acompanhada de um emoji de maçã, em uma provável provocação à Apple .
Pavel Durov, separadamente, afirmou que “extorsionistas” teriam pressionado a Apple a retirar o aplicativo, mas não apresentou provas para sustentar essa alegação. Um porta-voz da Apple reiterou ao jornal The National que a decisão foi motivada pela presença de conteúdo de abuso sexual infantil na plataforma .
A retirada ficou restrita à App Store do iOS, usada para distribuir aplicativos no iPhone e no iPad. O Telegram continuou disponível em:
Portanto, o episódio impediu principalmente novos downloads em iPhones e iPads. Ele não representou uma interrupção geral do serviço de mensagens.
O caso de agosto de 2026 não foi inédito. Em fevereiro de 2018, a Apple retirou da App Store tanto o aplicativo principal do Telegram quanto o Telegram X, sua versão experimental, depois que os apps disponibilizaram “conteúdo impróprio” aos usuários .
Na época, Pavel Durov confirmou a retirada e disse que os aplicativos voltariam quando fossem implementadas proteções adequadas . Assim como em 2026, a medida foi revertida depois que a plataforma adotou providências para atender às exigências da Apple.
A remoção de 2026 se conecta diretamente à investigação que envolve Durov na França. A acusação central do caso é que a moderação considerada insuficiente do Telegram teria permitido a prática de atividades ilegais na plataforma, incluindo a distribuição de material de abuso sexual infantil .
Os principais acontecimentos foram:
A decisão rápida da Apple não determina o resultado do processo francês, mas evidencia o mesmo tipo de risco discutido pelas autoridades: a responsabilidade das plataformas por conteúdo ilegal publicado por seus usuários. O episódio mostra que, mesmo depois do relaxamento das restrições de viagem de Durov, as práticas de moderação do Telegram continuam sendo um ponto de pressão para reguladores e para empresas que controlam a distribuição de aplicativos, como a Apple.