O colapso se acentuou em maio. O DeepState, um projeto de mapeamento OSINT (Inteligência de Fontes Abertas) ucraniano, relatou que a Rússia ocupou apenas 14 km² de novo território durante todo o mês — seu menor ganho mensal em três anos . Apesar de ter lançado mais de 7.000 operações de assalto, as forças russas não conseguiram manter o terreno capturado, e a Ucrânia recapturou mais território do que a Rússia tomou, empurrando o saldo mensal líquido para o negativo pela primeira vez desde 2023
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Diversos fatores diretos impulsionaram essa reversão:
A reversão territorial não é um evento isolado. É o ápice de uma tendência visível desde o final de 2025. Entre outubro de 2024 e março de 2025, as forças russas tomaram aproximadamente 2.716 km² a um ritmo médio de 14,9 km² por dia. No mesmo período de outubro a março, um ano depois, esse número caiu para 1.833 km² a 10,07 km² por dia — uma queda de aproximadamente um terço . Em maio de 2026, o total mensal despencou para meros 14 km²
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Essa redução no mapa está diretamente ligada a uma crise cada vez mais profunda de pessoal. Várias fontes convergem para um padrão claro: as perdas russas agora excedem consistentemente o recrutamento.
A matemática do atrito explica por que a Rússia não consegue mais sustentar seu avanço: as brigadas de ataque estão com efetivo reduzido, exaustas e queimando pessoal mais rápido do que o sistema de recrutamento do Kremlin consegue repor. Nos primeiros três meses de 2026, a Rússia sofreu cerca de 316 baixas para cada quilômetro quadrado capturado — quase o triplo das 120 baixas por km² registradas em 2025 .
Diante desta nova realidade no campo de batalha, as autoridades ucranianas tornaram explícita sua janela diplomática. Em 1º de junho de 2026, o Chefe do Gabinete Presidencial, Kyrylo Budanov, declarou no fórum internacional "Arquitetura de Segurança" que o presidente Zelenskyy havia emitido uma instrução direta para encerrar as hostilidades o mais rápido possível, de preferência antes do inverno, e descreveu essa meta como "realista" .
"Confirmo que esta é de fato a intenção do presidente: acabar com as hostilidades o mais rápido possível, de preferência antes do inverno", disse Budanov. "Na minha opinião, é absolutamente correto, oportuno e realista" .
Essa diretriz pública está alinhada com outras declarações recentes de Kiev. Em 31 de maio, Zelenskyy afirmou em entrevista que queria avançar com as conversas de paz antes do inverno para capitalizar a posição estratégica melhorada da Ucrânia . Em 25 de maio, uma deputada do partido Servo do Povo, de Zelenskyy, revelou que o presidente havia informado os parlamentares sobre possíveis prazos para encerrar a "fase quente" da guerra antes do inverno, desde que houvesse garantias de segurança em vigor
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Alguns veículos pró-Kremlin enquadraram o esforço por um cessar-fogo como um sinal de desespero ucraniano, mas as citações diretas de Zelenskyy e Budanov citam consistentemente a posição fortalecida de Kiev no campo de batalha — e não a fraqueza — como a razão para buscar uma abertura diplomática antes que as condições do inverno alterem a dinâmica .
Os dados são inequívocos: a taxa de avanço territorial da Rússia colapsou, sua variação territorial líquida é negativa pelo primeiro período sustentado desde 2023, e sua taxa de baixas mensais supera sua capacidade de recrutamento por uma margem cada vez maior. Se essa realidade operacional se traduzirá em um fim negociado das hostilidades ativas antes do inverno, ainda é incerto. Mas, pela primeira vez em anos, as tendências do campo de batalha estão se movendo na direção de Kiev — e Kiev está se movendo para explorá-las.