A vitória veio com a ajuda de um safety car virtual no momento certo, que permitiu a Hamilton pular à frente de Russell. O heptacampeão mundial encerrou um jejum que durava desde o GP da Bélgica de 2024 e, de cara, reenergizou a campanha da Ferrari nesta nova era do regulamento.
A história mais curiosa da tarde foi a de Nico Hülkenberg. O alemão vinha fazendo uma corrida competitiva no pelotão intermediário e brigava com Liam Lawson, da Racing Bulls, pela nona posição, quando sua prova terminou de forma abrupta e silenciosa na volta 29.
Lawson escapou um pouco na saída da curva 12, colocando uma roda na brita e levantando uma nuvem de pedras . Um desses fragmentos acertou o Audi de Hülkenberg em um ponto crítico: o santantônio do lado esquerdo. A pedra acionou diretamente o interruptor de corte elétrico de emergência do carro . Hülkenberg descreveu o momento de forma direta: "De alguma forma, uma pedra puxou o gatilho de emergência… e simplesmente matou o carro" . A unidade de potência desligou instantaneamente, e ele foi se arrastando para os boxes, abandonando a prova.
Também surgiram relatos de uma possível falha secundária no sistema de arrefecimento, causada pela ingestão da brita . Em ambos os cenários, o resultado foi o mesmo: uma falha mecânica terminal. Tudo culpa de um evento fortuito, sem nenhum contato entre os carros. Quando informaram Lawson que ele tinha, efetivamente, "matado" o Audi de Hülkenberg sem encostar nele, o neozelandês reagiu com espanto: "Você tá falando sério?! Não acredito" .
O abandono foi especialmente amargo para a Audi porque Hülkenberg estava a caminho do melhor resultado da equipe na temporada, sustentando bem a briga no pelotão intermediário .
O incidente da brita é quase um símbolo da difícil estreia da Audi como equipe de fábrica na Fórmula 1. Após sete etapas, o time soma míseros dois pontos no campeonato de construtores, e o próprio Hülkenberg amarga a 19ª posição no mundial de pilotos, sem um ponto sequer .
A história nos bastidores, porém, tem mais nuances. O RS26 da Audi já mostrou lampejos de competitividade real no meio do grid. Hülkenberg largou em nono em Suzuka, o melhor resultado da equipe em classificações no ano . As avaliações da pré-temporada já indicavam que a Audi estava “confortavelmente na briga do meio do pelotão”, e o carro muitas vezes pareceu rápido o bastante para pontuar .
O problema é que transformar ritmo em resultado tem sido um desafio e tanto. A temporada foi definida pelo que o novo diretor de corridas, Allan McNish, chamou de “enxurrada de problemas de confiabilidade” . Na Austrália, Hülkenberg nem conseguiu largar por questões técnicas . Em Miami, um vazamento causou um princípio de incêndio na volta de apresentação da corrida sprint . O abandono em Barcelona foi apenas o capítulo mais curioso de uma longa lista de frustrações.
Para piorar as dificuldades na pista, o chefe de equipe Jonathan Wheatley deixou o cargo de forma repentina no começo do ano, acrescentando instabilidade na liderança aos problemas do time .
Ainda assim, há motivos para um otimismo cauteloso. A Audi desenvolveu sua própria unidade de potência para enfrentar gigantes como Mercedes, Ferrari e Honda, e especialistas elogiaram a velocidade do carro desde o início . O diretor-técnico James Key já montou um time “de forças especiais” em aerodinâmica que melhorou radicalmente o Sauber C45 em 2025, mostrando que existe talento para resolver esses problemas . Como a própria equipe já declarou: “A tendência é só melhorar daqui pra frente” . Por enquanto, porém, a história da Audi na F1 é uma crônica de evolução nos treinos, que raramente se confirma aos domingos.