Essa mudança tem uma consequência direta e grave: a capacidade de produção para produtos de memória convencionais — a memória DRAM do seu notebook e o armazenamento flash NAND do seu celular — está sendo comprimida . Uma análise amplamente citada projeta que os data centers consumirão 70% de todos os chips de memória fabricados em 2026, deixando as indústrias concorrentes para lutar pelo suprimento restante
. O resultado é uma escassez estrutural que a maioria dos analistas espera que dure pelo menos até 2027
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Para a maior fabricante de PCs do mundo, a Lenovo, a escassez de memória representa um ataque direto ao seu principal negócio. Embora as ações da Lenovo tenham subido no final de maio, mostrando que a empresa conseguiu repassar os custos crescentes graças a uma marca forte e ao foco em produtos premium, o risco permanece alto . Ivan Lam, da Counterpoint Research, identificou o aumento dos custos de memória como o principal desafio da Lenovo, alertando que os preços em escalada poderiam comprimir as margens de lucro e forçar novos aumentos de preço para os consumidores, potencialmente freando a demanda justamente quando a empresa almeja uma meta de US$ 100 bilhões em receita
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O problema não se limita aos PCs. O IDC (International Data Corporation, uma das principais consultorias de tecnologia do mundo) delineou cenários de risco negativos para os mercados de smartphones e computadores pessoais, observando que o mercado de memória está em um desequilíbrio de oferta e demanda sem precedentes . Fabricantes de smartphones podem ser forçados a reduzir as configurações de memória ou aumentar os preços de venda. Os compradores corporativos de TI já estão enfrentando prazos de entrega mais longos e menos opções de configuração para servidores e equipamentos de rede
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A gravidade da situação tem gerado alertas dos mais altos escalões da indústria de tecnologia. Um coro crescente de líderes, incluindo Tim Cook (CEO da Apple) e Elon Musk, advertiu que a escassez de chips de memória é uma crise global em formação, que já está castigando os lucros e inflacionando os preços ao consumidor . Alguns analistas foram ainda mais longe, alertando que, se a situação piorar, os fabricantes de dispositivos podem enfrentar desacelerações ou paralisações reais na produção se não conseguirem garantir componentes de memória suficientes
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Não há uma solução rápida. A escassez está ligada a decisões de alocação de capacidade de fabricação, que envolvem investimentos multibilionários e cronogramas medidos em anos, o que significa que um alívio é improvável antes de 2027 ou 2028 . Para os consumidores e empresas, o recado do mercado é claro: a era da memória abundante e barata está em pausa, e o custo será sentido em cada dispositivo que você comprar.