Outro fator foi a persistência das preocupações com inflação, que reforçaram expectativas de juros elevados por mais tempo. Esse cenário tende a elevar os rendimentos dos títulos e fortalecer o dólar — duas forças que historicamente pressionam o ouro.
Depois de atingir a mínima de várias semanas, o ouro conseguiu se recuperar parcialmente. Um dos catalisadores foi a atenção renovada do mercado às possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã.
Comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, indicando avanço nas negociações ajudaram a melhorar o sentimento do mercado e reduzir parte das preocupações inflacionárias relacionadas ao conflito.
Com isso, o dólar perdeu força em determinados momentos do pregão, o que favoreceu a retomada do ouro. Quando a moeda americana enfraquece, o metal tende a se valorizar porque se torna mais barato para compradores fora dos EUA.
A incerteza em torno do conflito envolvendo o Irã também aumentou a volatilidade global. Um ponto especialmente sensível é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo transportado no mundo.
Quando surgem riscos de interrupção no fluxo de energia, o preço do petróleo costuma subir. Isso pode aumentar as expectativas de inflação e pressionar os rendimentos dos títulos — fatores que, em certos momentos, acabam pesando sobre o ouro.
Por outro lado, sinais de avanço diplomático reduzem o temor inflacionário, enfraquecem o dólar e podem impulsionar o metal. Essa alternância de notícias tem provocado movimentos rápidos em ouro, petróleo, títulos e moedas.
A prata acompanhou parte da volatilidade do ouro, mas com movimentos próprios. Durante o mesmo período, o metal chegou a cair abaixo de US$ 75 por onça, pressionado por tensões geopolíticas e pela expectativa de juros elevados por mais tempo.
A diferença é que a prata tem um componente industrial importante — sendo usada em eletrônicos, energia solar e outras aplicações — o que faz seu preço reagir tanto à demanda por ativos de proteção quanto às perspectivas econômicas globais.
Mesmo com correções de curto prazo, várias instituições financeiras continuam otimistas com o metal no horizonte de médio prazo.
O Goldman Sachs elevou sua projeção para o fim de 2026 para cerca de US$ 5.400 por onça, citando a forte demanda de investidores e compras de bancos centrais que buscam diversificar reservas.
Já o Citi Research trabalha com preços próximos de US$ 5.000 por onça no curto prazo, refletindo o impacto de riscos geopolíticos, fluxo de investimentos e compras institucionais.
A queda do ouro para a mínima de sete semanas foi principalmente resultado de fatores macroeconômicos — especialmente rendimentos mais altos dos Treasuries e um dólar fortalecido. A recuperação ocorreu quando o mercado reagiu a mudanças no câmbio e a sinais de possível progresso diplomático entre EUA e Irã.
Com juros, câmbio e geopolítica ainda em constante mudança, o mercado de metais preciosos deve continuar sensível a notícias e dados econômicos nos próximos meses.