O maior catalisador isolado foi o relatório de empregos não-agrícolas (o chamado payroll) de maio, que mostrou que a economia dos EUA gerou 172.000 vagas de trabalho durante o mês . Esse número superou com folga as projeções dos analistas, que giravam entre 80.000 e 88.000
. A taxa de desemprego se manteve estável em 4,3%, ressaltando a resiliência do mercado de trabalho
.
A reação do mercado foi rápida e severa. Antes do relatório, a narrativa dominante era a de que o Federal Reserve já havia encerrado o ciclo de alta de juros. Após a divulgação dos dados, os operadores recalcularam rapidamente as probabilidades da futura política monetária. As chances de um aumento de juros pelo Fed até dezembro dispararam para cerca de 70%, ante aproximadamente 50% antes do relatório . Não se tratava mais de um adiamento do corte de juros, mas de uma inversão completa das expectativas em direção a um aperto monetário.
Os fortes dados de emprego surgiram em um ambiente de política monetária que já estava mais inclinado a subir juros do que no início do ano. O Federal Reserve é agora presidido por Kevin Warsh, um nome indicado pelo governo de Donald Trump e amplamente visto como um defensor de uma maior disciplina monetária e de um balanço patrimonial menor do Fed .
Com o relatório de empregos reforçando o argumento para taxas de juros mais altas, os rendimentos dos títulos públicos e o dólar americano dispararam. Rendimentos mais altos dos títulos do Tesouro (Treasuries) aumentam o custo de oportunidade de se manter ativos que não geram rendimento, como ouro e prata, enquanto um dólar mais forte torna as commodities cotadas em dólar mais caras para compradores estrangeiros, diminuindo a demanda . A combinação de um dólar e juros em alta criou um poderoso vento contrário para os metais preciosos.
Os Estados Unidos estão envolvidos em um conflito militar com o Irã desde março de 2026 . Por meses, a guerra funcionou como um ativo de refúgio seguro para o ouro e a prata, ajudando a impulsioná-los para suas máximas de janeiro. No entanto, conforme o conflito se arrasta, seu impacto sobre os metais preciosos se tornou mais complexo.
A guerra causou um choque persistente nos preços do petróleo, mantendo os custos de energia e a inflação geral elevados. Isso cria uma dinâmica estagflacionária: uma inflação que o Federal Reserve se sente compelido a combater com uma política monetária mais restritiva . Na prática, o impulso geopolítico a favor do ouro está sendo agora sobrepujado pelo próprio obstáculo monetário que ele ajuda indiretamente a criar. A demanda por refúgio seguro não desapareceu, mas foi abafada pela força esmagadora da alta dos juros e do dólar.
Os mercados raramente se movem em linha reta, e os níveis técnicos desempenham um papel crucial na aceleração dos movimentos de preço. Nas semanas que antecederam o colapso de 5 de junho, o ouro vinha testando constantemente o suporte próximo à sua média móvel de 200 dias . Esse nível finalmente cedeu na sexta-feira, e o metal também caiu decisivamente abaixo do suporte psicológico de US$ 4.500 e da base de um canal de baixa de vários meses
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O quadro técnico da prata era igualmente sombrio. O metal já havia rompido abaixo do suporte-chave em US$ 73,00 e estava sendo negociado abaixo da média móvel exponencial de 50 dias (EMA50) . Quando os preços cortaram o limiar do número redondo de US$ 70,00, a venda acelerou dramaticamente
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Uma vez que esses grandes níveis técnicos cederam, uma cascata de ordens de stop loss e vendas algorítmicas automáticas foi acionada. Os metais caíram em um padrão clássico de "cachoeira": o ouro chegou a cair 3,4% durante o dia, e o tombo de 7% da prata ocorreu com velocidade impressionante .
Talvez a mudança mais profunda tenha sido a psicológica. Durante meses, os investidores em metais preciosos operaram sob a narrativa de "ativo de refúgio seguro": o risco geopolítico está aumentando, a inflação é persistente e os bancos centrais não são confiáveis. Essa narrativa levou o ouro à sua máxima histórica de janeiro.
Os fortes dados de empregos de maio destruíram essa tese. Eles convenceram muitos agentes do mercado de que o Federal Reserve tem espaço para priorizar o combate à inflação em detrimento do suporte econômico — mesmo com uma guerra em andamento. De repente, a narrativa dos "juros em primeiro lugar" tornou-se dominante, e o consenso otimista para os metais rapidamente se desfez . Os metais não apenas caíram; toda a premissa de se estar comprado em ouro e prata em 2026 foi colocada em xeque.
Em 8 de junho, o ouro era negociado por volta de US$ 4.302 e a prata perto de US$ 67-69, com alguns analistas de olho em possíveis alvos de queda de até US$ 4.000 para o ouro . O próximo grande teste será se o Federal Reserve sinalizará um cronograma concreto para um aumento de juros em sua próxima reunião. Se o fizer, os metais preciosos poderão enfrentar mais pressão. Se o banco central hesitar, uma recuperação por cobertura de posições vendidas (short-covering) é possível.
Por enquanto, o mercado em alta de 2026 para os metais parece estar em suspenso, entre a incerteza persistente do conflito no Irã e a dura realidade de um mercado de trabalho americano que se recusa a ceder.