Ao mesmo tempo, os ETFs spot de Ethereum listados nos Estados Unidos enfrentavam vários dias consecutivos de retiradas de capital. Em um dos dias analisados, cerca de US$ 65,6 milhões saíram desses ETFs, ampliando uma sequência de cinco dias de saídas lideradas por produtos de grandes gestoras como BlackRock e Fidelity.
Em um período um pouco mais amplo de maio, os ETFs spot de ETH perderam aproximadamente US$ 189 milhões entre 11 e 14 de maio, reforçando a tendência de demanda institucional mais fraca.
Os fluxos de ETFs são importantes porque representam capital institucional entrando ou saindo do mercado por meio de veículos regulados. Quando os resgates se prolongam por vários dias, eles podem criar pressão de venda direta ou indireta sobre o ativo.
A reversão dos fluxos não foi exclusivamente um fenômeno ligado ao Ethereum. Analistas apontaram que as saídas foram amplamente motivadas por maior incerteza geopolítica e macroeconômica, o que levou investidores a reduzir exposição a ativos mais arriscados.
Segundo a CoinShares, parte dessa mudança de humor veio de tensões geopolíticas relacionadas a desenvolvimentos envolvendo o Irã, o que desencadeou um movimento de “risk‑off” (aversão ao risco) no mercado de ativos digitais.
Quando o apetite global por risco diminui, ativos mais voláteis — como criptomoedas — tendem a sofrer quedas mais acentuadas do que outras classes de investimento.
Além das vendas no mercado à vista, o mercado de derivativos também contribuiu para acelerar o movimento de baixa. À medida que o preço do ETH começou a cair, posições compradas com alavancagem foram forçadas a encerrar, criando pressão adicional de venda.
Esse processo é conhecido como liquidação: corretoras fecham automaticamente posições alavancadas quando os traders deixam de cumprir os requisitos de margem. As vendas forçadas podem acelerar a queda porque as posições são encerradas imediatamente a preços de mercado.
Quando há grandes volumes de posições alavancadas concentradas perto de certos níveis de preço, uma queda inicial pode desencadear uma sequência de liquidações em cascata.
À medida que o Ethereum se aproximou da faixa dos US$ 2.000, muitos traders passaram a observar esse nível como uma zona psicológica e técnica importante.
Números redondos costumam concentrar ordens de stop‑loss e posições alavancadas. Caso o preço caia abaixo desse tipo de nível, as liquidações e ordens automáticas podem intensificar a volatilidade e ampliar a queda no curto prazo.
Por isso, analistas frequentemente monitoram essas regiões para avaliar se o mercado pode sofrer novas liquidações ou se surgirá demanda suficiente para provocar um rebote.
A queda do Ethereum em maio parece refletir uma correção impulsionada por fluxos de capital, e não necessariamente um problema fundamental na rede.
Diversos fatores ocorreram ao mesmo tempo:
Quando esses elementos se alinham, movimentos de preço rápidos podem acontecer mesmo que os fundamentos de longo prazo da rede permaneçam relativamente estáveis.
Para traders e investidores, o episódio destaca como fluxos de ETFs, sentimento macroeconômico e posicionamento em derivativos passaram a desempenhar um papel central na dinâmica de curto prazo do mercado cripto — muitas vezes tanto quanto os próprios fundamentos do blockchain.