A CPCA (Associação Chinesa de Carros de Passeio), analistas do setor e múltiplos relatórios convergem para três causas principais:
1. Enfraquecimento dos incentivos governamentais. Pequim reduziu seu subsídio para carros em cerca de um terço em 2026 e planeja eliminar gradualmente algumas isenções fiscais na compra de EVs a partir de janeiro de 2027 . Isso removeu uma alavanca essencial de demanda que vinha impulsionando as vendas há anos.
2. Demanda fraca do consumidor. A cautela econômica generalizada e a menor confiança do consumidor prejudicaram as compras de alto valor em todas as categorias. As vendas no varejo de carros de passeio domésticos caíram cerca de 21% em julho, refletindo uma desaceleração que já faz de 2026 um candidato ao pior ano do mercado automotivo na China desde 2021 .
3. Uma guerra de preços persistente. Os descontos médios nos EVs chineses permaneceram elevados por meses, comprimindo as margens líquidas em toda a indústria . Em meados de 2026, apenas três marcas de EVs — BYD, Xiaomi e Leapmotor — eram lucrativas, de acordo com dados da AlixPartners citados por vários veículos
. Analistas da Wood Mackenzie descreveram o mercado como entrando em uma fase de crescimento estruturalmente limitado
.
Enquanto as vendas domésticas patinam, as montadoras chinesas estão acelerando as exportações como válvula de escape. As exportações de NEVs cresceram impressionantes 147,8% em julho, e as exportações totais de veículos da China subiram 88,2%, para 923 mil unidades . BYD e Geely, em particular, têm confiado nos mercados externos para compensar a fraqueza interna
. No acumulado de janeiro a julho, as vendas domésticas de veículos de passeio caíram 20,5%, enquanto as exportações dispararam
.
Em resumo: o mercado chinês de EVs está encolhendo em volume, mas sua relevância relativa só aumenta, à medida que os carros a gasolina perdem espaço de forma acelerada e as montadoras chinesas buscam nos mercados globais a receita que falta em casa.