A amplitude do rali foi incomum, com ganhos massivos e generalizados.
Tokens de menor capitalização tiveram movimentos ainda mais extremos. O SKYAI saltou 52% em 24 horas e acumulou cerca de 350% de alta em um mês até meados de maio . A Telcoin (TEL) disparou 76,21% em uma semana, impulsionada pelo crescimento em remessas e DeFi, enquanto a Irys subiu 40,12% com o aumento do interesse em armazenamento descentralizado de dados
. Até mesmo a Worldcoin teve um dia de ganhos de dois dígitos em 26 de maio
.
Grande parte do calor especulativo veio da mais concentrada fila de IPOs de IA da história. A SpaceX protocolou um pedido confidencial (S-1) de abertura de capital no início de abril de 2026, visando uma listagem na Nasdaq em junho a uma avaliação de US$ 1,75 trilhão — o que quebraria o recorde da Saudi Aramco (US$ 29,4 bilhões) como o maior IPO de todos os tempos .
A OpenAI mira o quarto trimestre de 2026 com uma avaliação entre US$ 850 bilhões e US$ 1,1 trilhão, enquanto a Anthropic se prepara para um IPO avaliado em torno de US$ 380 bilhões . Juntas, as três empresas representam um valor combinado de aproximadamente US$ 3 trilhões a US$ 3,6 trilhões, e espera-se que levantem algo próximo a US$ 200 bilhões — o equivalente a mais de 60% do valor total de mercado das stablecoins globais
.
Esse movimento criou um "efeito halo": investidores passaram a ver os tokens de IA como uma ponte líquida, nativa do universo cripto, para se expor ao tema de inteligência artificial antes e durante essas listagens históricas no mercado de ações.
No entanto, analistas já alertam para um possível "dreno de liquidez". Esses IPOs podem "sugar dezenas de bilhões de dólares de ativos de risco globais — incluindo criptomoedas — potencialmente apertando a liquidez do mercado cripto conforme o capital institucional migra para as novas ofertas de ações" .
Enquanto o fluxo de varejo e especulativo corria atrás dos tokens de IA, os investidores institucionais faziam o caminho inverso, deixando os ETFs de Bitcoin e Ethereum em um ritmo histórico.
Os ETFs de Bitcoin registraram seis dias seguidos de saídas líquidas até 22 de maio, drenando US$ 1,55 bilhão e reduzindo as entradas totais de 2026 para meros US$ 536 milhões . Em 30 de maio, a sequência de perdas já durava dez dias consecutivos, com saídas acumuladas superando US$ 4 bilhões desde 7 de maio
. A semana que terminou em 24 de maio foi a pior do ano, com US$ 1,32 bilhão em resgates de produtos de Bitcoin, contribuindo para uma sangria total de US$ 1,47 bilhão em produtos de investimento cripto — a maior saída semanal de 2026
.
Os ETFs de Ethereum não tiveram destino melhor. Acumularam quatro dias seguidos de perdas, totalizando US$ 190 milhões em meados de maio, sequência que depois se estendeu para 11 dias — a mais longa desde o lançamento dos ETFs à vista de Ethereum, em julho de 2024 . Em um único dia, 18 de maio, US$ 648,64 milhões deixaram os ETFs de Bitcoin e outros US$ 86,31 milhões, os de Ethereum, simultaneamente
.
Para analistas, essas saídas refletem uma "tendência mais ampla de posicionamento cauteloso" por parte das instituições . Enquanto os tokens de IA surfavam na onda de narrativas e especulação, o dinheiro mais pesado, silenciosamente, reduzia sua exposição aos ativos digitais mais líquidos do mundo. Uma divergência que planta uma pulga atrás da orelha: quão sustentável pode ser esse rali da IA cripto, especialmente se os megas IPOs começarem a absorver o mesmo capital especulativo que hoje persegue esses tokens?
Comments
0 comments