O cerne da preocupação da Ucrânia reside na extensa infraestrutura militar que Belarus vem desenvolvendo, muitas vezes em coordenação com a Rússia. Relatórios ao longo da primavera de 2026 detalham um acúmulo sistemático projetado para hospedar e manobrar forças de combate rapidamente:
Essa infraestrutura opera como uma ameaça latente. Uma invasão terrestre a partir de Belarus é considerada "muito improvável" pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), que observa que a Rússia carece das reservas necessárias para apoiar tal operação . No entanto, as bases e rotas logísticas preparadas significam que o tempo de antecedência para uma postura ameaçadora poderia ser medido em horas ou dias, em vez de semanas, caso uma decisão política fosse tomada no Kremlin e em Minsk.
Em 26 de maio, o Secretário do Conselho de Segurança de Belarus, Alexander Volfovich, escalou a retórica ao afirmar que "drones de combate ucranianos" cruzam a fronteira "diariamente", alegando 116 incursões em uma única semana, com as defesas aéreas respondendo 59 vezes . Minsk enquadrou alguns desses supostos incidentes como tentativas deliberadas de atingir a infraestrutura de fronteira.
Kiev rechaçou categoricamente as acusações. O Centro de Combate à Desinformação as chamou de "uma mentira e uma provocação", enquanto Demchenko descreveu as alegações como mais uma tentativa de Belarus de "acusar a Ucrânia de algo e transferir a responsabilidade para nós" .
O ISW avaliou que Moscou e Minsk parecem estar "preparando o terreno informacional para justificar o lançamento de drones pela Rússia contra a Ucrânia a partir do território bielorrusso" . Analistas interpretam as declarações de Volfovich como um potencial precursor de uma expansão das operações aéreas russas a partir de bases bielorrussas, usando um casus belli fabricado sobre drones ucranianos.
Em uma mensagem contundente de dissuasão, o Comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, Robert "Madyar" Brovdi, anunciou em 26 de maio que Kiev identificou 500 alvos dentro de Belarus para possíveis ataques se Minsk entrar diretamente na guerra . Ele alertou que a resposta seria rápida, visando instalações militares e estratégicas em até 24 horas após qualquer escalada bielorrussa, acrescentando: "Cachorro que late não morde. Uma ave de rapina é diferente"
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Comentaristas militares ucranianos indicaram que esses conjuntos de alvos incluem instalações de refino de petróleo, localizações das unidades mais preparadas para o combate do exército bielorrusso e outros locais militares e estratégicos críticos . A lista de 500 alvos serve tanto como um plano operacional genuíno quanto como um sinal público destinado a aumentar o custo percebido por Lukashenko de entrar no conflito.
A Ucrânia vem reforçando sua própria fronteira norte de 1.000 quilômetros desde pelo menos fevereiro de 2026, com Demchenko confirmando que a linha de fronteira estatal está sendo fortificada para dar às forças de defesa "todas as oportunidades para enfrentar qualquer ameaça que possa vir do território de Belarus" .
O jogo de xadrez militar é ainda mais complicado pela sinalização estratégica. Rússia e Belarus concluíram exercícios nucleares conjuntos em 21 de maio de 2026, presididos por Putin e Lukashenko . O ISW avaliou que esses exercícios destacaram o aprofundamento do controle de facto da Rússia sobre Belarus e sua capacidade de alavancar o território bielorrusso para operações futuras
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A ameaça da direção norte permanece "consistentemente sensível", como Demchenko a descreveu ao longo da primavera . O perigo imediato não é uma coluna blindada ao estilo da Segunda Guerra Mundial concentrada na fronteira — o que o próprio reconhecimento da Ucrânia confirma que não existe — mas uma arquitetura de ameaça moderna de infraestrutura preparada, alinhamento político e guerra de informação que poderia permitir uma mudança rápida e desestabilizadora no equilíbrio militar da região com um aviso tático mínimo.