A Bernstein agora projeta que o mercado global de servidores ultrapassará US$ 1 trilhão até 2028, acima das estimativas anteriores . A revisão reflete a combinação de demanda por servidores tradicionais e pela infraestrutura especializada necessária para treinar e operar modelos de IA.
As principais projeções são:
A próxima onda de produtos também pode impulsionar o mercado. Os racks Rubin, da Nvidia, e Helios, da AMD, têm previsão de começar a ser enviados no quarto trimestre de 2026 .
Uma estimativa separada do Goldman Sachs, divulgada em junho, é ainda mais agressiva: o banco prevê um mercado global de servidores de US$ 1,1 trilhão em 2028. Nesse cenário, a receita de racks de servidores de IA cresceria a uma taxa anual composta de 118%, alcançando US$ 561,4 bilhões, ou 51% da receita total do mercado .
O aumento dos embarques de servidores depende diretamente da construção de capacidade física: prédios, energia, sistemas de refrigeração, redes e equipamentos. Nesse ponto, os números também são expressivos.
A Bernstein estima que o valor total dos investimentos em data centers planejados ou já em construção chegou a aproximadamente US$ 1,2 trilhão .
Entre os maiores provedores de nuvem:
Outras instituições chegam a conclusões semelhantes, embora com metodologias e escopos diferentes. O Goldman Sachs estima que o capex combinado das grandes empresas de tecnologia alcance US$ 750 bilhões até o fim de 2026 e se aproxime de US$ 1,2 trilhão em 2027 . Já uma análise do Morgan Stanley prevê aproximadamente US$ 800 bilhões em 2026 e US$ 1,2 trilhão em 2027 para os cinco maiores hyperscalers .
Em uma projeção anterior, o Bank of America estimou que os gastos globais de hyperscalers cresceriam 67% em 2025 e mais 31% em 2026, chegando a US$ 611 bilhões . Para uma medida mais ampla, que inclui infraestrutura, serviços, software, plataformas, modelos e desenvolvimento de aplicações, a Gartner prevê US$ 2,59 trilhões em gastos mundiais com IA em 2026, alta de 47% em um ano .
A mudança estrutural mais relevante do tracker é o avanço dos ASICs, sigla em inglês para circuitos integrados de aplicação específica. Ao contrário de uma GPU comercial, que pode atender a diferentes tipos de carga, um ASIC é projetado para executar tarefas determinadas com maior eficiência potencial.
Os grandes provedores de nuvem estão investindo em seu próprio silício para reduzir a dependência de GPUs compradas no mercado e otimizar operações específicas de treinamento e inferência de modelos de IA .
Isso não significa que as GPUs estejam deixando de ser importantes. A TrendForce estima que elas ainda representarão 69,7% dos embarques de servidores de IA em 2026. Porém, os servidores baseados em ASICs devem chegar a 27,8% do mercado no ano, a maior participação desde 2023 .
A Broadcom aparece como a principal parceira de design da indústria de ASICs para IA.
A empresa firmou um acordo de longo prazo com o Google para desenvolver TPUs de próxima geração — processadores próprios do Google voltados a cargas de trabalho de inteligência artificial . A Broadcom já participa do design das TPUs do Google e de um chip personalizado da OpenAI .
As estimativas citadas no tracker atribuem à Broadcom aproximadamente 60% de participação entre as parceiras de design de ASICs de IA .
Os resultados financeiros reforçam essa posição: a receita de semicondutores de IA da empresa chegou a US$ 10,8 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2026, alta de 143% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia reiterou a meta de superar US$ 100 bilhões em receita de semicondutores de IA no ano fiscal de 2027, enquanto as reservas de pedidos de IA no trimestre ultrapassaram US$ 30 bilhões .
A Marvell também acelera sua atuação no segmento. A companhia está ampliando a produção de ASICs para os quatro grandes provedores de serviços de nuvem citados no relatório, incluindo AWS, Microsoft e Google . A empresa participa do design dos chips Trainium, da AWS, e Maia, da Microsoft .
A Marvell projeta até aproximadamente US$ 11 bilhões em receita com ASICs de IA em 2026 .
Juntas, Broadcom e Marvell controlam cerca de 95% do mercado de design personalizado de ASICs para IA de hyperscalers, segundo as estimativas reunidas no material .
A Bernstein prevê que os ASICs representem aproximadamente 45% dos embarques totais de chips de IA baseados em CoWoS, uma tecnologia avançada de empacotamento de semicondutores. Os embarques de TPUs, especificamente, devem crescer cerca de 90% em 2026 .
A Counterpoint Research projeta que os embarques de ASICs de computação para servidores de IA dos dez maiores participantes do mercado tripliquem entre 2024 e 2027, com a Broadcom mantendo cerca de 60% de participação em 2027 .
A Tom's Hardware, citando projeções do setor, estima que os embarques de servidores de IA baseados em ASICs cresçam 44,6% em 2026, quase três vezes o ritmo projetado para GPUs comerciais, de 16,1% .
O quadro geral, portanto, não é de uma substituição imediata das GPUs, mas de uma infraestrutura cada vez mais híbrida. Nvidia e AMD devem continuar fornecendo os principais sistemas acelerados por GPU, enquanto Broadcom, Marvell e os próprios hyperscalers ampliam o uso de chips personalizados para tarefas específicas.
Para os provedores de nuvem, a estratégia pode significar mais controle sobre custos, desempenho e disponibilidade. Para a cadeia de semicondutores, significa que o crescimento da IA não depende apenas da venda de GPUs: ele também abre espaço para design de chips, memória de alta largura de banda, redes, empacotamento avançado e construção de data centers.
A conclusão da Bernstein é que o investimento em infraestrutura de IA segue em trajetória ascendente, sem evidência de uma redução iminente nos gastos de capital dos maiores provedores de nuvem. As projeções são, naturalmente, estimativas sujeitas a revisão, mas apontam para uma transformação de escala: a corrida da IA está se tornando também uma corrida para construir os servidores, chips e data centers que a sustentam.