A aprovação formal do projeto veio em 30 de dezembro, quando o Comitê de Investimentos Estratégicos, chefiado pelo próprio Rama, concedeu o status de "investidor estratégico" à Atlantic Incubation Partners LLC, empresa ligada a Kushner. O aval inicial era para um empreendimento de 45 hectares com investimento previsto de €1,4 bilhão naquele momento [12, 13]. De lá para cá, o escopo e o investimento projetado já se expandiram para cerca de €4 bilhões [7, 15].
A oposição popular ao projeto se intensificou de forma dramática. Na segunda-feira, 1º de junho, milhares de manifestantes marcharam pela capital Tirana, em protestos que continuaram no dia seguinte, terça-feira, 2 de junho [1, 16]. Aos gritos de 'A Albânia pertence aos albaneses' e 'A Albânia não está à venda', os manifestantes carregavam cartazes com frases como 'Tirem as mãos de Vjosa-Narta' [25, 29]. A rota levou os manifestantes da Praça Skanderbeg até o escritório do primeiro-ministro .
A situação se tornou violenta no sábado, 30 de maio, durante uma demonstração no próprio local do resort. Relatos indicam que um membro da minoria étnica grega da Albânia ficou ferido durante os confrontos [5, 27]. A polícia albanesa emitiu uma nota afirmando que um grupo de manifestantes recorreu à violência e danificou cercas do canteiro de obras. Relatos vindos dos protestos, no entanto, apontam que seguranças privados usaram spray de pimenta e chegaram a deter um manifestante [27, 33].
As queixas centrais que movem os protestos são ambientais e de procedimento. Ativistas e ONGs ambientalistas acusam o governo de permitir que obras preliminares continuem em uma paisagem protegida sem consulta ou transparência . Klajdi Belo, um ativista presente nas manifestações, resumiu o sentimento: 'A situação em Narta é que, na prática, temos uma área protegida, mas, acima de tudo, nosso Estado permitiu que a obra continuasse sem consulta e sem transparência'
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A oposição cruza fronteiras. Em janeiro de 2026, 41 organizações ambientalistas de 28 países enviaram uma carta ao primeiro-ministro Rama pedindo a suspensão imediata do projeto e a declaração da Ilha de Sazan como uma área de proteção ambiental nacional. A carta afirmava que o projeto 'representa sérios riscos à biodiversidade e aos habitats críticos da área' [20, 24].
Outra frente sensível está no impacto sobre a minoria étnica grega que vive há gerações na região e teme pela segurança de suas terras e propriedades [17, 27].
Diante da pressão explosiva, o primeiro-ministro Edi Rama respondeu com uma defesa contundente e sem meias-palavras do empreendimento. Na segunda-feira, 1º de junho, rechaçou publicamente os apelos para interromper as obras preliminares na costa do Adriático, enquadrando o resort de €4 bilhões como um investimento transformacional para a economia e o setor de turismo da Albânia, capaz de atrair visitantes internacionais mais abastados. Para Rama, trata-se de uma oportunidade econômica geracional [7, 15]. Em um discurso anterior sobre os planos, ele descreveu a ambição de transformar Sazan em 'uma joia na coroa de ouro do turismo no Mediterrâneo' .
Quanto às alegações de corrupção e de legislação sob medida, o gabinete de Rama tem negado qualquer irregularidade de forma consistente. O porta-voz reiterou que as mudanças na lei de construção 'não foram feitas especificamente para Kushner' e que o marco legal não foi ajustado para um investidor único .
No entanto, os críticos contra-argumentam que todo o processo foi marcado pela falta de transparência e de concorrência. Uma reportagem investigativa do portal Citizens.al destaca que a proposta chegou como uma oferta não solicitada, avançou sem debate público e foi aprovada sem licitação internacional aberta . A mesma investigação descreve um modelo de tomada de decisão marcado pela 'concentração de bens públicos em poucas mãos, ligadas ao poder político e financeiro, por meio de negociações diretas, sem transparência, sem concorrência e sem prestação de contas'
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Enquanto a investigação da SPAK avança e os protestos não dão sinais de trégua, o resort ligado a Kushner cristalizou um debate nacional mais amplo sobre se a Albânia conseguirá equilibrar o poder transformador do investimento estrangeiro com a preservação ambiental, o Estado de Direito e uma governança transparente.