No terreno, a situação também se agravou. Tropas israelenses avançaram para além da chamada "Linha Amarela", uma zona de segurança autodeclarada, e travaram combates com combatentes do Hezbollah ao norte do Rio Litani, um marco geográfico estratégico que Tel Aviv já havia ameaçado transformar em uma nova fronteira de facto .
A nova fase das operações desmantelou na prática o já fragilizado cessar-fogo, que vinha sendo violado quase que diariamente por ataques aéreos e de artilharia israelenses . Embora a trégua oficialmente ainda estivesse em vigor, a escala das ações militares deixou claro que um retorno à guerra em larga escala era um risco real e iminente.
A declaração de zona de combate foi a maior ação do tipo desde o início do frágil cessar-fogo . Ao designar toda a área ao sul do Rio Zahrani — cerca de 40 quilômetros a partir da fronteira israelense — como uma zona de operações militares ativas, as FDI sinalizaram uma expansão geográfica massiva de sua campanha
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Um porta-voz militar israelense publicou na rede social X: "Aconselhamos os residentes do sul do Líbano a evacuarem para o norte do Rio Zahrani, pois todas as áreas ao sul do rio são consideradas uma zona de combate." A publicação alertava que o exército agiria "com grande força" contra o Hezbollah na área .
A ordem abrangeu quase 14% do território libanês e continuou em vigor enquanto os ataques prosseguiam pelo segundo dia consecutivo no sul e leste do país, incluindo o Vale do Beqaa e a cidade histórica de Tiro .
Na terça-feira, 26 de maio, as forças israelenses lançaram o que fontes de segurança libanesas classificaram como um dos dias mais pesados de bombardeios em semanas — mais de 120 ataques aéreos com alvos no sul e leste do Líbano . A operação ocorreu após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometer publicamente intensificar a ação militar contra o Hezbollah
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O Ministério da Saúde do Líbano confirmou que ao menos 31 pessoas morreram e 40 ficaram feridas apenas nos ataques de terça-feira . Entre os mortos, estavam 14 civis na cidade de Burj al-Shamali, no distrito de Tiro, incluindo duas crianças e três mulheres
. Bombardeios também atingiram áreas próximas ao histórico Castelo de Beaufort e na região de Qana
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Os ataques prosseguiram na quarta-feira, 27 de maio, dia em que as famílias libanesas observavam o Eid al-Adha, uma das datas mais sagradas do Islã. As autoridades libanesas relataram ao menos outras nove pessoas mortas neste segundo dia de ofensiva . As FDI afirmaram ter atingido mais de 100 locais de infraestrutura e combatentes do Hezbollah
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A campanha aérea foi acompanhada por uma incursão terrestre mais profunda. Tropas israelenses expandiram suas operações para além da chamada "Linha Amarela" — uma zona de segurança declarada unilateralmente, com cerca de 10 quilômetros de profundidade dentro do território libanês, estabelecida após o cessar-fogo de abril .
Duas fontes confirmaram que as FDI haviam ultrapassado essa linha de demarcação, embora a extensão exata do avanço não tenha sido divulgada . A Linha Amarela é distinta da "Linha Azul", demarcada pela ONU, que marca a fronteira oficial entre os dois países. Ela faz parte de uma proposta de zona-tampão que se estenderia de 5 a 10 quilômetros para dentro do sul do Líbano
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O desenvolvimento mais significativo do ponto de vista estratégico foi o avanço em direção ao Rio Litani, que funcionou como uma fronteira de facto durante todo o conflito. Israel já havia destruído suas principais pontes para isolar o sul do país . Em 27 de maio, forças israelenses e combatentes do Hezbollah entraram em confronto na área de Zawtar al-Sharqiyah, uma cidade ao norte do Litani, conforme confirmado pelo próprio Hezbollah
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Netanyahu declarou que os militares estavam "aprofundando" suas operações e "tomando áreas estratégicas" . Um oficial militar israelense descreveu as ações como movimentos "direcionados" para "remover ameaças diretas" além da Linha de Defesa Avançada
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O avanço além do Litani ecoou ambições declaradas anteriormente: em março, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que os militares manteriam uma "zona de segurança" até o Rio Litani indefinidamente e proibiriam o retorno de residentes deslocados .
O Hezbollah afirmou que seus combatentes enfrentaram as tropas israelenses ao norte do Rio Litani em 27 de maio . O grupo disse ter usado drones explosivos, foguetes e artilharia no que descreveu como operações militares defensivas contra os avanços de Israel
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Essas operações fizeram parte de um padrão mais amplo de contra-ataques diários ao longo de maio. O Hezbollah relatou ter realizado:
De acordo com o Alma Research Center, um centro de pesquisas israelense, o Hezbollah realizou 161 ondas de ataque contra Israel e as forças das FDI no sul do Líbano durante uma única semana no final de maio (17 a 24 de maio), sendo que a maioria dos ataques contra o território israelense foi realizada com drones explosivos . Os drones guiados por fibra óptica usados pelo Hezbollah provaram ser particularmente difíceis de detectar e interceptar, representando um novo desafio para as defesas israelenses
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A intensificação das operações ocorreu durante o feriado de Eid al-Adha, agravando o impacto humanitário. Os ataques israelenses atingiram Tiro e arredores enquanto as famílias observavam a data sagrada .
A declaração de zona de combate, cobrindo 2.000 quilômetros quadrados, forçou novas evacuações em massa, somando-se a uma crise de deslocamento já existente . Ordens de evacuação anteriores já haviam esvaziado dezenas de vilarejos e cidades ao sul do Rio Litani
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O Ministério da Saúde libanês relatou que os ataques israelenses em todo o país já mataram mais de 3.100 pessoas e feriram milhares de outras desde que as hostilidades recomeçaram no início de março de 2026 . O conflito foi retomado em 2 de março de 2026, depois que o Hezbollah disparou foguetes contra o norte de Israel, após meses de violações do cessar-fogo que vigorava desde novembro de 2024
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A escalada do final de maio evidenciou o colapso quase total do cessar-fogo de 16 de abril. Aquela trégua, concebida para interromper os combates após uma massiva operação israelense em 8 de abril que matou ao menos 357 pessoas em um único dia, vinha sendo violada quase diariamente por ataques aéreos e de artilharia de Israel, de acordo com fontes de segurança e autoridades libanesas .
Autoridades israelenses insistiram que os militares estavam respondendo a violações do Hezbollah e agindo para proteger as comunidades do norte de Israel. "Estamos reforçando e expandindo nosso controle da área para proteger o retorno dos residentes da Galileia e das comunidades no norte", disse um porta-voz militar israelense .
A escalada ocorreu dias antes de negociações previamente marcadas em Washington entre delegações libanesas e israelenses, lançando uma sombra de incerteza sobre qualquer perspectiva de paz . O cenário também se desenrolava em um contexto regional mais amplo de operações israelenses em andamento em Gaza e na Síria, e de contatos diplomáticos entre EUA e Irã, embora o foco imediato permanecesse firmemente no sul do Líbano.
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