Cheng Li-wun é uma política e advogada taiwanesa que lidera o KMT desde novembro de 2025 . Seu partido, que representa o maior bloco de oposição na ilha, defende laços mais estreitos entre os dois lados do Estreito com base no Consenso de 1992 e é notadamente mais amigável a Pequim do que o governante Partido Progressista Democrático (PPD).
Ao visitar os Estados Unidos neste momento, Cheng tenta completar um quebra-cabeça diplomático triangular: ela se reuniu com Xi Jinping em Pequim em abril, testemunhou o encontro entre o presidente americano Donald Trump e Xi semanas depois e agora apresenta seu caso diretamente em Washington . A visita está sendo “acompanhada de perto em Pequim, Taipé e Washington” como um esforço politicamente sensível para reduzir as tensões em todas as frentes
.
A delegação de Cheng partiu de Taipé em 1º de junho e pousou em São Francisco na mesma noite, a primeira parada de uma turnê por quatro cidades .
A etapa de Washington é considerada o ponto central da viagem, onde a delegação do KMT — que inclui o ex-representante de Taiwan nos EUA, Jason Yuan — tentará transmitir que Taipé tem um papel responsável a desempenhar na prevenção de conflitos .
Falando em 2 de junho em São Francisco, Cheng expôs várias propostas que moldam a atual postura geopolítica do KMT .
Evitando a guerra pela reconciliação
Ela argumentou que “o que todos temem — um confronto entre os Estados Unidos e a China — é algo que pode ser evitado”, insistindo que EUA e China não deveriam estar presos a uma rivalidade . Cheng desafiou diretamente a ideia de que Taiwan precisa ser uma fonte de atrito, afirmando que seu objetivo é manter Washington fora de uma “guerra evitável”
.
A paz entre os dois lados do Estreito é possível
Cheng caracterizou a hostilidade em relação à China continental como um produto de “engenharia política” que não reflete os verdadeiros sentimentos do povo taiwanês . O objetivo declarado do KMT é a “normalização da paz entre os dois lados” — uma postura que, segundo ela, é mais ancorada na realidade do que a abordagem do PPD
.
Uma estrutura tripartite para a cooperação
Em uma mudança retórica significativa, Cheng afirmou que Taiwan não precisa escolher um lado entre a China e os Estados Unidos. Ela expressou abertura para uma estrutura cooperativa trilateral, onde a ilha não seria forçada “a se aliar a um contra o outro” . Anteriormente, ela descreveu os EUA como um “amigo” e a China continental como “família”, uma formulação que ressalta o delicado ato de equilíbrio em jogo
.
A estratégia do ‘amortecedor’
Ao engajar ativamente tanto Pequim quanto Washington, Cheng está posicionando o KMT como um “amortecedor” único, capaz de se comunicar com as duas superpotências para diminuir as tensões .
Questionada em Taipé, Cheng não se esquivou da possibilidade de se encontrar com o atual presidente americano. "É claro que estou muito disposta", disse ela aos repórteres . Nenhum líder taiwanês se reuniu com um presidente americano em exercício desde que as relações diplomáticas foram rompidas em 1979, e a Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário
. Especialistas notaram que tal encontro é improvável, mas a mera disposição em buscá-lo sinaliza a ambição do KMT de desempenhar um papel direto na diplomacia entre as grandes potências
.
O momento da visita de Cheng amplifica seu significado. Sua cúpula de abril com Xi em Pequim ocorreu dias antes de o próprio Trump visitar a capital chinesa, onde Xi enfatizou que Taiwan continua sendo “a questão mais importante” nas relações EUA-China e alertou que um manejo incorreto poderia levar a “conflitos” . Ao visitar os EUA agora, Cheng está conectando fisicamente os dois lados de um tenso triângulo.
Sua abordagem não é isenta de riscos. Em Washington, as autoridades provavelmente a questionarão sobre os gastos com defesa de Taiwan e como seria a “paz” com Pequim sob a visão do KMT. Alguns analistas preveem que ela defenderá que Taipé deve negociar com o continente sobre a reunificação, em vez de manter a soberania de facto . De volta a Taipé, o PPD acusou o KMT de minar a autonomia da ilha ao se alinhar de forma muito próxima aos argumentos de Pequim
.
Mas, neste momento, Cheng aposta que o apelo por um Estreito de Taiwan pacífico — uma ilha que não seja um campo de batalha, mas uma ponte — é uma mensagem que ambas as superpotências podem escutar.