O carro utiliza o sistema híbrido DM (Dual Mode) Super Hybrid de quinta geração da BYD, chamado de DM-i. Ele combina um motor a combustão com um motor elétrico no eixo dianteiro e a consagrada bateria LFP Blade . Na prática, isso significa que o dia a dia na cidade pode ser feito no modo elétrico, enquanto o motor a gasolina elimina a ansiedade de recarga em viagens mais longas.
Para receber o motor a combustão, o tanque de gasolina e o sistema de escapamento, o Dolphin G DM-i precisou crescer em relação ao Dolphin Surf elétrico vendido na Europa. A tabela abaixo mostra as diferenças:
| Dimensão | Dolphin G DM-i (PHEV) | Dolphin Elétrico (BEV) |
|---|---|---|
| Comprimento | 4.160 mm | 4.125 mm |
| Largura | 1.825 mm |
O híbrido plug-in é, portanto, 35 mm mais longo e 55 mm mais largo que seu irmão elétrico. O Dolphin elétrico padrão permanece como a opção de entrada da BYD no segmento dos BEVs, mas o Dolphin G exibe essas proporções ligeiramente maiores justamente por sua natureza de dois motores .
A BYD ainda não divulgou todas as especificações técnicas oficiais do Dolphin G, mas o consenso entre os especialistas é que ele compartilhará o sistema de propulsão principal com o já conhecido Atto 2 DM-i (vendido na China como Yuan Up DM-i) .
Com base nesse sistema, as estimativas são:
A expectativa é de que o carro ofereça duas opções de bateria LFP: um pacote menor de 7,8 kWh e outro maior, de 18 kWh — a mesma arquitetura encontrada no Atto 2 DM-i .
A autonomia é, sem dúvida, a grande estrela do Dolphin G. A BYD está posicionando o modelo como um verdadeiro antídoto contra a “range anxiety” — aquele medo de ficar sem carga no meio do caminho.
A promessa da BYD é de um preço “acessível”, e parte da imprensa britânica já trata o modelo como o futuro “híbrido plug-in mais barato do Reino Unido” . No entanto, a lista oficial de preços ainda não saiu.
A estreia mundial está marcada para junho de 2026. As primeiras entregas aos clientes europeus estão previstas para o outono do mesmo ano, que no calendário do hemisfério norte corresponde aos meses de setembro e outubro .
Uma peça fundamental nesse quebra-cabeça fica em Szeged, na Hungria. A primeira fábrica de veículos de passeio da BYD na Europa iniciou a produção em testes no primeiro trimestre de 2026, com a escala de produção em massa prevista para o segundo trimestre . A expectativa é de que o Dolphin G DM-i seja um dos primeiros carros a sair da linha de montagem húngara . Fabricar localmente com o selo “Feito na Europa” permitiria à BYD abastecer todo o bloco sem se preocupar com qualquer tarifa de importação vinda da China, independentemente de mudanças futuras nas regras comerciais.
Para entender o Dolphin G, é preciso olhar primeiro para a estrutura tarifária da União Europeia. A partir de outubro de 2024, o bloco impôs sobretaxas definitivas sobre veículos 100% elétricos importados da China. Essas taxas compensatórias (ou countervailing duties) foram criadas após uma investigação de subsídios governamentais. Para a BYD, o valor adicionado foi de 17% sobre a tarifa padrão de importação de 10%, resultando em uma taxa total de 27% — um rombo que reduziu drasticamente a vantagem de preço da marca . As tarifas estão valendo por cinco anos .
O detalhe crucial é que os híbridos plug-in não entram nessa conta. As tarifas compensatórias se aplicam exclusivamente a veículos elétricos puros (BEVs) .
A estratégia da BYD com o Dolphin G se apoia, portanto, em dois pilares:
Esta movimentação não é isolada. Desde que as tarifas entraram em vigor, houve um salto nas exportações de PHEVs chineses para a Europa . Além disso, os híbridos plug-in atendem a um número significativo de compradores europeus que ainda não se sentem seguros para migrar para um elétrico puro. Ao abrir esse novo flanco, a BYD amplia seu mercado e navega com mais esperteza pela guerra comercial .
| 1.770 mm |