Vítimas de abuso sexual baseado em imagens geradas por IA geralmente sofrem humilhação, vergonha, raiva, sensação de violação e autoculpabilização, levando a sofrimento emocional contínuo, afastamento da escola e da família e dificuldade em manter relacionamentos de confiança . Alguns casos podem levar a automutilação e pensamentos suicidas. O trauma é amplificado cada vez que o conteúdo é compartilhado
. Crianças são especialmente vulneráveis porque suas habilidades cognitivas ainda estão em desenvolvimento e elas têm mais dificuldade em identificar deepfakes
.
Em 2025, a Internet Watch Foundation avaliou 8.029 imagens e vídeos gerados por IA como mostrando abuso sexual infantil realista, com volumes continuando a aumentar de forma constante tanto na dark web quanto em plataformas comerciais convencionais . Essas imagens estão sendo geradas e distribuídas em escala, sobrecarregando os sistemas de moderação existentes.
De acordo com a lei atual de Hong Kong, apenas criar imagens íntimas geradas por IA sem distribuí-las não é uma infração criminal — apenas a publicação ou ameaça de publicação é coberta . Vítimas do caso de deepfake na HKU disseram que consultas jurídicas confirmaram essa lacuna, não deixando recurso criminal contra o estudante que criou as imagens
. O Secretário de Segurança de Hong Kong anunciou que lançará uma consulta pública para expandir as leis de crimes sexuais para cobrir a pornografia deepfake, com o objetivo de aprovar emendas até 2026
. A Ordem dos Advogados de Hong Kong pediu uma "lei direcionada" para lidar com o problema
. No entanto, até meados de 2026, a lei ainda não foi alterada.
O PCPD constatou que pais e filhos em Hong Kong têm, em geral, conscientização insuficiente sobre os riscos dos deepfakes, e que os casos maliciosos de deepfake envolvendo crianças estão aumentando rapidamente . O "sharenting" — o hábito dos pais de compartilhar fotos dos filhos online — fornece matéria-prima que pode ser facilmente usada para criar deepfakes
. O PCPD publicou um "Kit de Ferramentas sobre Abuso de Deepfakes de IA para Escolas e Pais" em dezembro de 2025 para aumentar a conscientização e fornecer orientação prática
.
Imagens íntimas falsas, uma vez divulgadas, são extremamente difíceis de remover da internet, causando danos duradouros às vítimas . Essa permanência agrava o dano psicológico, pois as vítimas sabem que as imagens podem ressurgir a qualquer momento.
Em resposta a esses perigos, o PCPD abriu uma investigação criminal sobre o incidente da HKU e publicou um kit de ferramentas para escolas e pais
. O governo de Hong Kong está revisando os marcos legais, com o Secretário de Segurança planejando uma consulta pública sobre a expansão das leis de crimes sexuais para cobrir a pornografia deepfake
. As autoridades de privacidade de Hong Kong, junto com quase 60 contrapartes globais, emitiram uma declaração conjunta alertando sobre imagens prejudiciais geradas por IA, especialmente envolvendo crianças
.
O kit de ferramentas do PCPD aconselha os pais a pensarem cuidadosamente antes de postar fotos ou vídeos de seus filhos online, e insta as escolas a educarem os alunos sobre os riscos e as consequências legais de criar ou compartilhar deepfakes . Especialistas recomendam ensinar às crianças habilidades críticas de alfabetização digital e incentivar conversas abertas sobre segurança online
.