Microsoft adotou uma abordagem ligeiramente diferente. Em março de 2026, a empresa congelou as contratações em sua divisão de nuvem e nas equipes de vendas da América do Norte . Em abril, ofereceu planos de demissão voluntária a aproximadamente 7% de seus funcionários nos EUA, o que equivale a cerca de 8.750 postos de trabalho . Somadas, as ações das duas empresas podem afetar até 23 mil cargos . É importante notar que ambas continuam contratando para posições de engenharia e IA, mesmo enquanto cortam em outras áreas, enquadrando as demissões como uma realocação de recursos, e não uma eliminação pura .
Esses cortes fazem parte de uma tendência mais ampla no setor de tecnologia: mais de 92 mil funcionários foram demitidos em 2026 até abril , e em julho o total acumulado em seis meses já ultrapassava 140 mil .
Enquanto seus concorrentes cortam, a Alphabet adicionou 11.830 funcionários entre junho de 2025 e junho de 2026, aumentando seu quadro de 187.103 para 198.933 . O CEO Sundar Pichai afirmou publicamente que a empresa pretende continuar expandindo sua força de trabalho de engenharia pelo menos até o final de 2026, ressaltando que o talento humano continua sendo crítico, mesmo com o aumento dos investimentos em IA . Pichai descreveu a IA como um "acelerador" em vez de um substituto para o talento humano, dizendo à Bloomberg que expandir a base de engenheiros "nos permite fazer mais com o espaço de oportunidades" .
A Alphabet também está expandindo sua presença física. A empresa alugou uma torre de escritórios e garantiu opções para duas torres adicionais em Bangalore, na Índia, totalizando 2,4 milhões de metros quadrados de novo espaço de escritório — uma mudança que coincide com regras de visto mais rígidas nos EUA .
As reduções e expansões da força de trabalho estão diretamente ligadas ao maior ciclo de despesas de capital corporativo da história:
Os quatro hyperscalers (Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft) estão a caminho de gastar coletivamente entre US$ 650 bilhões e US$ 730 bilhões em infraestrutura de IA em 2026 — um aumento de aproximadamente 77% em relação aos cerca de US$ 410 bilhões de 2025 . O JPMorgan elevou sua estimativa de capex global em IA até 2030 para US$ 5,5 trilhões em sua previsão de meados de 2026 .
A estratégia da Meta e da Microsoft é consistente: redirecionar gastos de contratações gerais para hardware específico de IA, data centers e talentos especializados . A Fortune reportou que as ações da Meta e da Microsoft representam uma tentativa de "simplificar as operações e compensar os pesados gastos com inteligência artificial" .
As evidências de meados de 2026 pintam um quadro confuso e de duas vias, em vez de uma resposta clara.
O lado das eliminações:
O lado da criação:
Sentimento dos executivos:
Os executivos da Meta e da Microsoft enquadram as demissões como uma realocação — cortando pessoal geral para financiar contratações em IA . Sundar Pichai, da Alphabet, comprometeu-se publicamente a contratar engenheiros até 2026 . De forma mais ampla, a alta cúpula (99% dos CEOs pesquisados) espera que a IA reduza o quadro de funcionários, mas apenas 32% acreditam que suas organizações são eficazes em gerenciar essa transição .
Conclusão: Os dados de meados de 2026 não confirmam um apocalipse de empregos líquido, mas mostram claramente uma mudança estrutural. A IA está deslocando trabalhadores mais rapidamente do que está criando novas funções no curto prazo, especialmente em funções administrativas, de vendas e cargos técnicos de nível médio. A questão de longo prazo permanece em aberto: a construção da infraestrutura está criando novos empregos em engenharia de IA, data centers e chips, mas estes são em menor número e exigem habilidades diferentes das funções que estão sendo eliminadas. A maioria dos grandes analistas descreve um "mercado de trabalho de duas vias", onde os trabalhadores expostos à IA enfrentam disrupção, enquanto o talento especializado em IA comanda prêmios crescentes.