O modelo OLED de 512 GB, que custava US$ 549, agora sai por US$ 789. Já a versão de 1 TB saltou de US$ 649 para absurdos US$ 949 . Na prática, estamos falando de aumentos de US$ 240 e US$ 300, respectivamente. Em percentual, o rombo é de aproximadamente 44% a 46%. A nova política de preços é global, afetando também o Canadá (CAD 1.129 e CAD 1.349), a Europa (€ 779 e € 919) e o Reino Unido (£ 669 e £ 779) . Para piorar, os modelos com tela LCD, que eram a porta de entrada mais em conta, foram discretamente descontinuados e já não aparecem mais na loja da Steam .
A justificativa oficial da Valve é direta e sem rodeios: o hardware do aparelho não mudou nada. “Estes novos preços refletem o estado atual dos custos de componentes e outros desafios logísticos globais em toda a indústria”, declarou a empresa .
Os grandes vilões da história são os chips de memória. Uma crise global no fornecimento de DRAM e NAND Flash — puxada fortemente pela construção voraz de data centers para inteligência artificial — gerou um efeito cascata que está encarecendo toda a eletrônica de consumo . A Valve não está sozinha nessa fria; outros hardwares gamer também sentiram a pressão, mas o baque no Steam Deck foi, de longe, o mais expressivo entre os consoles recentes .
Com essa mudança, o Steam Deck perdeu a sua principal coroa: a de rei do custo-benefício. O queridinho que antes reinava absoluto no orçamento dos gamers agora entra num território perigoso.
Antes do aumento, o modelo OLED de US$ 549 deixava concorrentes como o ASUS ROG Ally X (normalmente entre US$ 799 e US$ 999) e o Lenovo Legion Go S (de US$ 729 a US$ 829) comendo poeira. Agora, custando entre US$ 789 e US$ 949, o Steam Deck está perigosamente próximo — ou até acima — de portáteis com Windows que entregam telas de maior resolução, mais memória RAM e compatibilidade nativa com um catálogo muito maior de jogos. A equação de valor ficou bem mais difícil de fechar, já que o consumidor está pagando muito mais caro por um hardware que a própria Valve admite ser o mesmo de antes .
Para se ter uma ideia do cenário atual do mercado:
A única chance de resgatar o preço antigo é recorrer a uma unidade recondicionada do Steam Deck OLED de 512 GB por US$ 629, mas o estoque é tão confiável quanto promessa de político em ano eleitoral .
A decisão da Valve de empurrar o Steam Deck OLED para a casa dos US$ 1.000 joga ainda mais lenha na fogueira dos rumores sobre o preço e a disponibilidade do seu tão aguardado console, o Steam Machine.
O Steam Machine, com lançamento previsto para 2026, está sendo constantemente fustigado pela mesma crise de memória e armazenamento. A Valve já adiou anúncios de preço e data de envio mais de uma vez, e a janela de lançamento foi sutilmente alargada de “início de 2026” para um vago “este ano” . A empresa se comprometeu publicamente com uma estreia em 2026, mas sempre com a ressalva de que os custos dos componentes são uma grande interrogação .
O aumento do Steam Deck OLED serve como um teste de estresse da vida real sobre o que a crise de memória significa para o hardware da Valve. Se um aparelho portátil, com quase três anos de mercado, pode sofrer um salto de 46% no preço puramente por causa do custo de componentes, é razoável temer que o Steam Machine — que algumas análises e estimativas da comunidade já projetavam entre US$ 700 e US$ 950 antes mesmo do agravamento da crise — acabe chegando às lojas com um preço final bem indigesto . O choque do Steam Deck não prova um valor específico para o Steam Machine, mas escancara que a Valve está navegando em águas turbulentas e hostis, onde entregar hardware acessível está cada dia mais difícil.
Para o consumidor, o recado é claro: os dias do Steam Deck como um portátil gamer excelente e inquestionável pelo preço acabaram. E o próximo dispositivo da Valve provavelmente chegará numa era em que “ter preço de PC” significa um valor mais próximo de quatro dígitos do que a maioria dos jogadores gostaria de ver.