Quando a Amazon decidiu comprar a Globalstar, a fatia da Apple se tornou uma questão complexa que exigiu uma negociação a três. A solução, que está no pedido enviado à FCC, envolve duas subsidiárias criadas pela Amazon para executar a fusão .
A Amazon estruturou a aquisição com duas subsidiárias de papéis bem definidos, ambas detalhadas no documento enviado à SEC (a CVM americana) em 13 de abril de 2026 :
O pedido da Amazon à FCC, chamado "Application for Consent to Assign and Transfer Control of Licenses and Authorizations" (Pedido de Consentimento para Cessão e Transferência de Controle de Licenças e Autorizações), confirma que a empresa disse explicitamente aos órgãos reguladores que assumirá a fatia da Apple como parte da compra . Essa estrutura em duas etapas isola a transferência de capital da fusão operacional, o que pode simplificar a revisão regulatória e a continuidade das licenças de espectro
.
Para quem tem um iPhone, a preocupação mais imediata é se o SOS de Emergência e outros serviços via satélite vão continuar funcionando. A resposta é sim. A Amazon e a Apple assinaram um acordo comercial de longo prazo separado, pelo qual a rede Amazon Leo vai fornecer a conectividade para os serviços atuais e futuros dos satélites do iPhone e Apple Watch .
A Amazon se comprometeu a manter esses serviços usando uma combinação da atual constelação de 24 satélites da Globalstar com a sua própria rede Leo em expansão. Os serviços cobertos incluem :
O vice-presidente sênior de marketing mundial de produto da Apple, Greg Joswiak, enfatizou a continuidade do serviço publicamente, afirmando que o acordo "garante que nossos usuários continuarão tendo acesso aos recursos vitais de satélite nos quais passaram a confiar" .
Além de manter as funções atuais, as duas empresas se comprometeram a colaborar em futuros serviços de satélite — um sinal de que a Amazon vê a Apple como um cliente-chave, e não apenas como uma acionista a ser comprada .
A verdadeira motivação da Amazon vai muito além de manter a conexão dos iPhones. O acordo com a Globalstar oferece acesso imediato a três ativos que, de outra forma, levariam anos para serem construídos ou licenciados organicamente :
Na apresentação da Amazon para investidores na SEC, a empresa afirmou que a combinação do portfólio de espectro da Globalstar com a infraestrutura da Leo vai permitir "serviços direto-para-dispositivo de maior capacidade e mais eficiência espectral do que os sistemas legados direto-para-celular" — uma provocação direta ao serviço Starlink Mobile da SpaceX, que usa faixas de espectro diferentes e uma arquitetura de satélites maior .
A transação ainda não foi concluída. O fechamento está previsto para algum momento de 2027 e depende de três categorias de condições :
O valor em si é estruturado de forma flexível: os acionistas da Globalstar podem optar por receber US$ 90 por ação em dinheiro ou 0,3210 ações da Amazon, com pagamentos em dinheiro limitados a 40% do total de ações em circulação . Ainda é possível haver ajustes no valor para baixo, de até US$ 110 milhões, se a Globalstar perder certos marcos operacionais
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Acionistas que representam cerca de 58% do poder de voto da Globalstar já aprovaram o negócio por escrito, o que agiliza o trâmite regulatório, mas não o elimina .
A aquisição transforma a Amazon de uma concorrente prospectiva em uma competidora imediata na corrida da conectividade direto-para-dispositivo, um mercado até então dominado pela Starlink da SpaceX e com a presença da AST SpaceMobile e outras . Ao comprar o espectro operacional da Globalstar em vez de buscar novas licenças, a Amazon pula anos de processos regulatórios que uma entrada orgânica exigiria
. A vantagem adicional de ter a Apple como cliente âncora já garantido — a Apple estaria gastando algo em torno de US$ 1,5 bilhão em seu relacionamento com a Globalstar — dá à Amazon escala instantânea e uma base de consumidores que nenhum outro concorrente nesse mercado possui hoje
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O verdadeiro teste competitivo virá após o fechamento em 2027, quando a constelação combinada e o espectro da Amazon Leo terão que entregar a promessa de uma conectividade via satélite de maior capacidade e menor latência, que funcione perfeitamente com os smartphones comuns — não apenas para emergências, mas como uma extensão rotineira da cobertura celular.