Embora existam diferenças técnicas entre as plataformas, a lógica básica é parecida.
1. Criação de mercados sobre eventos específicos
Cada mercado gira em torno de uma pergunta verificável, por exemplo:
2. Compra e venda de contratos “Sim” ou “Não”
Os usuários compram participações em um dos resultados. Cada contrato costuma pagar um valor fixo — frequentemente US$1 se a previsão estiver correta.
3. Preços mudam conforme o sentimento do mercado
Quando mais pessoas acreditam que um evento acontecerá, compram contratos “Sim”, elevando o preço. Isso transforma o valor do contrato em uma estimativa dinâmica da probabilidade.
4. Liquidação quando o evento ocorre
Depois que o resultado é confirmado, os contratos vencedores pagam e os perdedores ficam sem valor.
Na prática, o sistema se parece mais com uma bolsa de negociação — em que usuários negociam entre si — do que com uma casa de apostas tradicional que define as odds.
Apesar do argumento de que são ferramentas de previsão, muitas autoridades regulatórias veem esses mercados como algo muito próximo de jogos de azar.
Isso ocorre porque os usuários colocam dinheiro em resultados incertos — como eleições ou partidas esportivas. Alguns reguladores afirmam que os chamados “event contracts” são basicamente apostas estruturadas de outra forma.
Entre as preocupações levantadas por autoridades estão:
Por outro lado, defensores desses mercados dizem que eles podem gerar informações úteis ao agregar as expectativas de muitas pessoas sobre o futuro.
Na Índia, o Ministério da Eletrônica e Tecnologia da Informação (MeitY) passou a investigar plataformas de mercados de previsão após um aumento no uso por parte de usuários indianos.
Autoridades afirmam que esses serviços estão sendo usados para apostar em resultados eleitorais, eventos esportivos como a IPL (Indian Premier League) e outros acontecimentos do mundo real.
Segundo o governo, plataformas offshore como Polymarket e Kalshi operam fora do sistema regulatório indiano para jogos online, o que as torna ilegais para usuários no país.
Relatórios indicam que as preocupações incluem:
A repressão regulatória ocorreu em etapas.
Primeiro, o MeitY enviou avisos e orientações a intermediários de internet e prestadores de serviço. Em abril de 2026, o ministério instruiu provedores de VPN e plataformas online a garantir que não facilitem o acesso a sites de apostas ou mercados de previsão como Polymarket e Kalshi.
Depois disso, o governo começou a preparar ordens formais de bloqueio. Relatórios indicam que uma ordem já foi emitida contra o Polymarket e que outra está sendo preparada contra a Kalshi.
Essas medidas devem usar os poderes da Seção 69A da Lei de Tecnologia da Informação da Índia, que permite restringir o acesso a conteúdos online.
Mesmo após os avisos iniciais, muitos usuários continuaram acessando essas plataformas.
Autoridades apontam vários fatores que dificultam a aplicação das regras:
Autoridades chegaram a descrever o problema como um “jogo de gato e rato” regulatório, em que novos caminhos de acesso aparecem à medida que outros são bloqueados.
A decisão da Índia reflete uma discussão maior em vários países: afinal, mercados de previsão são instrumentos financeiros, ferramentas de informação ou simplesmente uma nova forma de apostar?
Algumas jurisdições permitem versões reguladas dessas plataformas, enquanto outras preferem restringi‑las por sua semelhança com apostas tradicionais.
O debate continua — e provavelmente vai definir como esse tipo de mercado será tratado globalmente nos próximos anos.