A acusação central é que México e Colômbia seriam os principais alvos de uma operação coordenada de influência política e midiática. Segundo várias reportagens, as gravações descreveriam planos para desestabilizar os governos de Sheinbaum e Petro por meio de notícias falsas, desinformação, narrativas hostis na mídia ou equipes de comunicação voltadas a moldar a opinião pública .
Algumas coberturas descrevem o vazamento como um conjunto de 37 arquivos de áudio ou notas de voz extraídas de WhatsApp, Signal e Telegram . O Rio Times informou que as gravações foram publicadas pelo Hondurasgate e pelo Diario Red América Latina na semana de 30 de abril de 2026, e afirmou que elas teriam sido verificadas pela empresa forense Phonexia Voice Inspector
. Outras reportagens também mencionam verificação ou autenticação forense dos arquivos
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As alegações sobre dinheiro são uma das partes mais sensíveis politicamente. Ground News e The Rio Times relatam que os áudios vazados mencionam mais de US$ 500 mil em apoio a uma campanha contra os governos Sheinbaum e Petro . Esse valor, porém, deve ser tratado como parte da denúncia enquanto não houver comprovação independente além do material vazado e das reportagens sobre ele.
A cobertura do Hondurasgate cita repetidamente o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández como figura central da suposta rede . Algumas reportagens também mencionam figuras políticas de Honduras, como Nasry Asfura e María Antonieta Mejía, em conexão com as conversas ou o planejamento descritos nas gravações
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As acusações, no entanto, não ficam restritas a Honduras. Reportagens falam em suposto envolvimento de atores ligados aos Estados Unidos, a Israel, a Honduras e à Argentina; algumas também citam o presidente argentino Javier Milei e Donald Trump, ou aliados de Trump, como parte do ambiente político em torno da operação alegada . O Tico Times relatou que Valeria Duarte, identificada como coordenadora da investigação, acusou envolvimento dos EUA sob Trump e de Israel sob o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
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Por se tratar de acusações internacionais graves, a escolha das palavras importa. As fontes citadas apresentam esses pontos como alegações baseadas em gravações vazadas e em declarações de quem divulgou o material — não como conclusões estabelecidas por um tribunal .
O que está no registro público, até aqui, é que vários veículos noticiaram gravações vazadas vinculadas ao site Hondurasgate e ao Diario Red en América Latina, e que algumas reportagens afirmam que houve análise forense para autenticar os arquivos de áudio .
Isso é mais limitado do que provar toda a trama alegada. Mesmo que a autenticação dos áudios seja aceita, ela não demonstra automaticamente quem teria autorizado uma operação, se instituições estatais a dirigiram, se os canais de financiamento funcionaram como descrito ou se todas as conclusões políticas tiradas das gravações são corretas. A cobertura disponível trata o Hondurasgate como uma suposta operação de interferência e desinformação, não como uma conclusão jurídica definitiva .
México e Colômbia são centrais porque a suposta operação é descrita como dirigida contra dois governos de esquerda ou progressistas de grande visibilidade na região. Segundo as reportagens, as gravações citariam campanhas contra Sheinbaum e Petro, com desinformação e pressão midiática como instrumentos para enfraquecer suas administrações .
A própria reação de Sheinbaum também colocou o México no centro da história. Ao dizer que a suposta campanha suja não prejudicaria seu governo, ela deslocou o foco do conteúdo dos áudios para o efeito político que, em sua avaliação, o episódio teria: confusão, talvez, mas sem dano duradouro ao seu projeto .
O Hondurasgate é uma denúncia politicamente relevante baseada em áudios vazados. Sheinbaum a descartou como uma campanha suja que não afetaria seu governo, enquanto as gravações são apresentadas por reportagens como indícios de um esforço transnacional de desinformação e influência envolvendo atores ligados aos EUA, a Israel, a Honduras e à Argentina contra México, Colômbia e outros governos de esquerda .
A conclusão mais prudente é separar as coisas: os áudios podem ser jornalisticamente relevantes, e algumas reportagens dizem que os arquivos foram verificados por perícia, mas as alegações mais amplas sobre financiamento, autorização e desestabilização patrocinada por Estados seguem sendo acusações enquanto não forem comprovadas de forma independente .