O eclipse, que vai cruzar a Sibéria, o Ártico, a Groenlândia e a Islândia até chegar ao norte da Espanha e de Portugal, causará uma queda rápida e previsível na geração solar . Em condições de céu limpo, a produção fotovoltaica (FV) pode diminuir em até 9,7 GW em toda a Europa entre 19h15 e 21h30 (CEST) . Isso equivale a cerca de 3,7% da capacidade solar instalada na UE .
No entanto, o eclipse atinge uma rede que já está enfraquecida por um verão de calor extremo. A seca prolongada e as altas temperaturas dos rios forçaram o desligamento ou a redução da operação de inúmeras usinas, corroendo a capacidade de geração de reserva do continente exatamente no momento em que a energia solar diminui.
O eclipse vai acelerar o declínio normal da geração solar no fim da tarde, com a produção caindo para perto de zero no pico da obscuridade . A Espanha, que experimentará a fase total do eclipse, deve sentir o maior impacto.
A Red Eléctrica de España (REE) estima que o eclipse reduzirá temporariamente a geração solar máxima na Espanha continental em aproximadamente 5 GW, o que representa cerca de 13% da demanda máxima típica de uma quarta-feira de agosto . A REE desenvolveu um modelo matemático para calcular a perda e afirma que não se espera que o suprimento seja afetado, com medidas preventivas já ativadas .
O nível criticamente baixo do rio Vístula forçou a empresa Enea a reduzir a produção nas usinas a carvão de Kozienice e Połaniec. Cerca de 1,3 GW de capacidade foram perdidos do sistema elétrico polonês devido à falta de água para resfriamento . A vazão do rio perto da usina de Kozienice caiu para apenas 135 metros cúbicos por segundo, enquanto o sistema de resfriamento da instalação requer de 80 a 100 metros cúbicos por segundo — mais da metade do fluxo restante .
Vários reatores nucleares franceses foram desligados ou tiveram sua produção reduzida devido às altas temperaturas dos rios (acima dos limites legais de resfriamento) e aos baixos níveis de água. Em vários momentos deste verão, mais de 6 GW de capacidade nuclear francesa estavam indisponíveis, com reatores como Golfech-2, Bugey-3, Chooz-2, Saint-Alban e unidades de Blayais afetados . A escassez de água nos rios Meuse e Mosela continuou a limitar a disponibilidade até o início de agosto . As regulamentações ambientais francesas exigem que a EDF reduza a produção quando a temperatura dos rios atinge um certo limite para proteger a vida aquática .
Além da Polônia e da França, usinas foram forçadas a desligar na Hungria, Romênia, Eslovênia e Itália devido aos baixos níveis de água ou às temperaturas excessivamente altas dos rios, conforme confirmado pela Comissão Europeia em 6 de agosto .
Ao contrário do Texas durante o eclipse de 2024, que dependeu do aumento da geração de usinas a gás natural, a Europa está abordando este evento com uma frota de armazenamento em baterias que se expandiu rapidamente. A capacidade de armazenamento em baterias da Europa dobrou para 29 GW no último ano, fornecendo uma reserva flexível que pode compensar rapidamente a queda na geração solar causada pelo eclipse . Este é o primeiro teste em escala continental para saber se as baterias de grande porte podem fazer o que o gás natural fez em crises anteriores.
A Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transmissão de Eletricidade (ENTSO-E) convocou uma força-tarefa dedicada para coordenar os preparativos entre os operadores nacionais e maximizar a flexibilidade operacional . Os membros deste grupo se reuniram em 7 de agosto para planejar possíveis cenários .
Os operadores estão instruindo as equipes das salas de controle a garantirem uma maior consciência situacional e estão coordenando de perto os fluxos de eletricidade entre as fronteiras . As interrupções programadas na rede durante o período do eclipse foram evitadas para maximizar a flexibilidade operacional .
A REE da Espanha ativou um plano preventivo específico para gerenciar a redução de 5 GW causada pelo eclipse, utilizando reservas de equilíbrio e coordenando-se com os sistemas vizinhos . O plano é baseado em um modelo astronômico dedicado desenvolvido para o evento .
A Comissão Europeia declarou em 6 de agosto que a situação é avaliada como "estável", sem preocupações imediatas de segurança ou abastecimento, mas reconheceu que está "obviamente apertada" . A porta-voz da CE, Anna-Kaisa Itkonen, observou que o eclipse ocorre no fim da tarde, o que significa que seu impacto não deve ser enorme .
Três fatores-chave devem manter as luzes acesas:
Horário: O eclipse ocorre no fim da tarde (19h15–21h30 CEST), coincidindo com a queda natural da geração solar. Isso significa que ele vai principalmente acelerar um declínio esperado, em vez de criar um novo desafio operacional .
Coordenação: Anos de experiência com a integração solar e as lições do eclipse europeu de 2015 (quando os operadores gerenciaram com sucesso uma perda de 5 GW de energia solar) informaram uma resposta altamente coordenada . Os mecanismos de coordenação do ENTSO-E são bem estabelecidos e já foram testados antes .
Armazenamento em Baterias: A frota de baterias da Europa, que dobrou para 29 GW no último ano, pode responder em milissegundos a mudanças de frequência, fornecendo uma reserva mais rápida e flexível do que as usinas a gás . Esta é uma vantagem significativa sobre a resposta do Texas ao eclipse de 2024, que dependia do gás natural.
A rede está sendo pressionada por uma lacuna previsível, mas grande, na geração solar (até 9,7 GW), somada a uma frota geradora já enfraquecida — com capacidade termelétrica, nuclear e hidrelétrica reduzida por uma forte onda de calor europeia. Os principais fatores atenuantes são o horário do fim da tarde, a extensa coordenação prévia por meio da força-tarefa do ENTSO-E e a frota de baterias da Europa, que se expandiu rapidamente e deve lidar com a rampa de forma muito mais rápida do que o gás natural conseguiria. Embora a Comissão Europeia descreva a situação como "obviamente apertada", as avaliações atuais sugerem que não são esperados apagões ou interrupções no fornecimento.