A frase que gerou a crise foi direta:
"Temos um número enorme de partidas que são completamente desinteressantes."
A crítica, contextualizada pelo aumento de 32 para 48 participantes, foi interpretada pelas associações respondentes como um desprezo velado às seleções consideradas menores, muitas das quais são estreantes ou retornam à competição após longos hiatos .
No domingo, a resposta veio em forma de um comunicado conjunto assinado por federações da África, Ásia e Caribe. As signatárias foram Cabo Verde, Curaçao, Uzbequistão, RD Congo, Haiti, Argélia, Tunísia, Marrocos, Egito, Gana, Senegal, Costa do Marfim e África do Sul .
O texto expressa "profunda decepção" e rebate ponto a ponto a visão elitista que enxerga o futebol como propriedade de um restrito clube europeu .
Os trechos mais contundentes do manifesto deixam clara a mudança de paradigma que essas seleções buscam consolidar:
A força do comunicado reside no simbolismo deste ciclo de Copa do Mundo. Pela primeira vez, o torneio terá 48 seleções, abrindo espaço para países que historicamente ficavam de fora. Para nações como Cabo Verde, Curaçao e Uzbequistão, que são estreantes, ou para o Haiti e a República Democrática do Congo, que voltam após décadas, a simples presença na competição já é uma vitória suada e um motor de transformação social .
A visão de Čeferin, considerada "eurocêntrica" pelos críticos, ignora o impacto econômico, social e esportivo que a classificação gera nestes países. Não se trata apenas de um jogo, mas da realização de um sonho coletivo que incentiva investimentos em categorias de base e infraestrutura.