Os números foram históricos, mas a reação do mercado foi tudo, menos comemorativa. As ações da Samsung despencaram, sua divisão de celulares registrou o primeiro prejuízo de sua história, e um debate explodiu sobre se o ciclo da memória para IA já havia atingido o pico.
A Samsung Electronics divulgou uma receita consolidada preliminar de 171 trilhões de won (~US$ 126 bilhões) e um lucro operacional de 89,4 trilhões de won (~US$ 58,4 bilhões) para o 2º trimestre de 2026 . O lucro operacional foi cerca de 19 vezes maior que os 4,7 trilhões de won registrados no 2º trimestre de 2025 . A margem operacional da empresa atingiu aproximadamente 52% .
Quando os resultados finais auditados foram divulgados em 30 de julho, eles confirmaram uma receita de 171,5 trilhões de won e um lucro operacional que superou as estimativas . O lucro do trimestre sozinho superou os lucros combinados da Samsung nos três anos anteriores .
Toda a explosão do lucro foi alimentada pela crescente demanda de IA por chips de memória usados em data centers .
Apesar do lucro histórico, as ações da Samsung caíram acentuadamente — uma reação clássica de "venda no fato".
Por que a queda? As ações já haviam subido cerca de 150% nos doze meses anteriores ao anúncio dos resultados, incorporando os lucros recordes em sua valorização . Quando os números chegaram, eles confirmaram o que os investidores já haviam precificado — dando-lhes pouca razão para manter as ações em níveis elevados . Os analistas também citaram preocupações de que o superciclo de semicondutores pode ter atingido o pico, preocupações com o aumento dos custos de capital e a realização de lucros após a forte alta das ações . Alguns analistas divergiram — otimistas com os ventos favoráveis da IA, mas cautelosos com os riscos de pico de ciclo no curto prazo .
A divisão de Memória/DS da Samsung impulsionou a bonança, mas sua divisão Mobile Experience (MX) teve dificuldades significativas.
Enquanto isso, os embarques globais de smartphones caíram 4% ano a ano no 2º trimestre de 2026, à medida que a crise contínua da memória interrompeu a oferta e elevou os custos dos componentes — ainda assim, a Samsung aumentou sua participação de mercado para 22%, permanecendo a maior fabricante de smartphones .
A onda da memória de IA beneficiou todos os grandes fabricantes de memória. Os preços de DRAM e NAND subiram em todo o setor devido a restrições de oferta, beneficiando a Micron e a SK Hynix junto com a Samsung .
A SK Hynix, como líder dominante em memória HBM3E, era amplamente esperada para também reportar fortes resultados trimestrais impulsionados pela mesma onda de demanda de IA. No entanto, números específicos do 2º trimestre de 2026 para a SK Hynix não foram incluídos nas fontes retornadas durante esta pesquisa. Analistas do setor esperavam que a escassez de memória durasse até 2027, dando à Samsung, SK Hynix e Micron um enorme poder de precificação .
O recorde da Samsung foi único em escala — um lucro trimestral maior do que qualquer empresa de tecnologia já havia reportado — mas a liquidação das ações refletiu a ansiedade do mercado de que o ciclo da memória de IA pode ter atingido o pico .
O chefe de semicondutores da Samsung afirmou no início de 2026 que a demanda por chips de memória continuaria forte até 2027 . A Samsung projetou que a demanda por chips centrados em IA permaneceria robusta, mesmo enquanto reconhecia o aumento dos custos dos componentes e possíveis ventos contrários no mercado de celulares . A empresa disse que aumentaria as vendas de modelos topo de linha, como o Galaxy S26 Ultra e o Z Fold 7, para compensar .
Mas a questão fundamental permanece sem resposta: quanto tempo o superciclo da memória de IA pode durar? Por enquanto, a Samsung entregou um trimestre que reescreveu os livros de recordes — e um mercado de ações que prontamente vendeu a notícia.