A toxicidade da proteína é um fator de risco importante.
A toxicidade de proteínas recombinantes em E. coli é um problema conhecido, que inclusive levou ao desenvolvimento de cepas derivadas de BL21(DE3), como C41(DE3) e C43(DE3), mais adequadas para expressar proteínas tóxicas.
Em um modelo de engenharia metabólica com BL21(DE3), o IPTG combinado com um substrato tóxico causou estresse fisiológico pronunciado. Isso não permite generalizar que "IPTG é sempre tóxico", mas mostra que as condições de indução podem agravar um estado celular já sobrecarregado.
A conclusão mais precisa para a pergunta original é:
Se as células parentais, após indução overnight, ainda retiverem o plasmídeo de expressão completo e funcional, e se a nova cultura tiver gerações suficientes para se recuperar, as células-filhas poderão, em princípio, ser reinduzidas com IPTG no final do cultivo principal.
No entanto, essa prática aumenta a probabilidade de falha na expressão, redução de rendimento e variabilidade entre lotes, especialmente em condições de plasmídeo de alto número de cópias, promotor forte, proteína tóxica, indução prolongada a 37 °C ou altas concentrações de IPTG.
Mairhofer J, et al. Evaluation of three industrial Escherichia coli strains in fed-batch cultivations during recombinant protein production. Microbial Cell Factories. 2013. — Compara o crescimento e a perda de plasmídeo após indução em diferentes linhagens.
Tripathi NK, et al. Impact of the Expression System on Recombinant Protein Production in Escherichia coli. 2021. — Discute a carga metabólica da transcrição/tradução de genes estranhos e as escolhas de sistema de expressão.
Kopp J, et al. Optimizing recombinant protein expression via automated induction profiling in Escherichia coli. 2017. — Mostra a importância da concentração de IPTG, temperatura e carga metabólica no crescimento e na expressão.
van Loosdrecht MCM, et al. The Impact of IPTG Induction on Plasmid Stability and Heterologous Protein Production. 2020. — Examina diretamente a relação entre indução por IPTG, viabilidade celular e estabilidade plasmidial.
Baneyx F. Recombinant protein expression in Escherichia coli. Current Opinion in Biotechnology. 1999; e revisões posteriores. — Explica que plasmídeos de alto número de cópias, genes tóxicos ou que reduzem a taxa de crescimento e cultivos em alta densidade aumentam o risco de perda de plasmídeo.
Mairhofer J, et al. Exacerbation of substrate toxicity by IPTG in Escherichia coli BL21(DE3). Microbial Cell Factories. 2015. — Exemplo experimental em que o IPTG agrava o estresse celular em um sistema específico.
Saida F. The toxicity of recombinant proteins in Escherichia coli. Applied Microbiology and Biotechnology. 2004. — Revisão sobre toxicidade de proteínas recombinantes e cepas hospedeiras adequadas.
Experimentalmente, para determinar se seu lote realmente "perdeu a capacidade de indução", a abordagem mais conclusiva não é a inferência teórica, mas sim o isolamento de colônias individuais da nova cultura: verifique a resistência ao antibiótico, faça restrição/sequenciamento do plasmídeo e, com o mesmo OD, a mesma concentração de IPTG e um controle seed não induzido, realize SDS-PAGE ou Western blot.