Ao contrário de estudos anteriores com pré-escolares — que encontravam mais agressividade após jogos competitivos e mais cooperação após cooperativos —, este estudo não detectou efeito significativo do tipo de jogo sobre cooperação, comportamento pró-social ou antissocial.
Os dois formatos geraram níveis equivalentes de cooperação e competição. Em outras palavras, vitória e derrota não transformaram as crianças em anjos ou demônios — pelo menos não de forma mensurável na tarefa seguinte.
Isso não significa que o jogo seja irrelevante. Ambos os formatos funcionaram como um contexto natural para treinar habilidades sociais: esperar a vez, respeitar a regra combinada, reagir à jogada do outro sem agredir. Essa parte do argumento — de que jogos estruturados oferecem “oportunidades reais de praticar interação social e controle comportamental” — tem respaldo na literatura sobre regulação infantil.
O sobrenome correto da pesquisadora sueca é Gunilla Stenberg. A confusão com “tenberg” provavelmente vem de um erro de digitação ou de leitura dinâmica — comum em textos que circulam sem revisão.
Para fins de citação em trabalhos acadêmicos, a referência no formato APA 7ª edição é esta:
Eriksson, M., Kenward, B., Poom, L., & Stenberg, G. (2021). The behavioral effects of cooperative and competitive board games in preschoolers. Scandinavian Journal of Psychology, 62(3), 355–364. DOI: 10.1111/sjop.12708.
No corpo do texto, você pode usar:
Ou seja: o tipo de jogo pode influenciar o comportamento, mas isso depende de quem joga, por quanto tempo, com quais regras e como o comportamento é medido. O estudo de 2021 joga um balde de água fria em conclusões categóricas, mas não fecha a discussão.
Se você é pai, mãe ou professor, a mensagem prática desta pesquisa não é “tanto faz cooperativo ou competitivo”. É que a estrutura do jogo importa mais do que o rótulo que damos a ele.
Ambos os formatos exigiram que as crianças seguissem normas, alternassem turnos e reagissem às ações dos colegas — três pilares do autocontrole na infância. O que realmente parece fazer diferença é a qualidade da mediação adulta: explicar as regras com clareza, reforçar o respeito durante a derrota e celebrar o esforço coletivo independentemente do resultado.
Agora, se alguém escrever “Eriksson, Kenward, Poom e tenberg”, você já sabe: é Stenberg. E, de brinde, entendeu que tabuleiro é palco — mas o roteiro do comportamento infantil é escrito por muitos fatores além do dado.