Diferentemente dos primeiros cartões cripto, os novos produtos eliminam a fricção do usuário. Em vez de converter Bitcoin ou Ethereum manualmente, o consumidor gasta stablecoins — principalmente USDT e USDC — diretamente, com a conversão acontecendo de forma transparente nos trilhos da Visa .
O fenômeno não acontece por acaso. Três fatores estruturais se destacam:
A gigante de pagamentos não apenas abraçou a tendência, mas se tornou a espinha dorsal do segmento. Dados da plataforma de análises Paymentscan e de outras fontes de mercado mostram que a Visa processa cerca de 90% de todas as transações on-chain com cartões cripto . Alguns relatórios mais específicos, como o divulgado pelo Coinbureau, chegam a apontar uma fatia de 97% do volume mensal em determinados períodos .
Esse domínio se consolida por meio de parcerias estratégicas. A principal delas é com a Bridge, uma plataforma de infraestrutura de stablecoins adquirida pela Stripe. Ao integrar a emissão de cartões aos trilhos da Visa, a Bridge permite que fintechs lancem cartões lastreados em criptomoedas de forma quase plug-and-play .
Em números, a escala é massiva. Até março de 2026, a Visa já contava com mais de 130 programas de cartões vinculados a carteiras de stablecoins, e o ritmo anualizado de liquidação com stablecoins da empresa havia disparado para US$ 4,6 bilhões . Para efeito de comparação, em 2025, o volume total de pagamentos da rede foi de cerca de US$ 17 trilhões .
O plano de expansão é agressivo. Em março de 2026, os cartões vinculados a stablecoins já estavam operacionais em 18 países, mas a Visa e a Bridge anunciaram que a meta é chegar a mais de 100 países até o fim do ano . A iniciativa abrange mercados na Europa, Ásia-Pacífico, África e Oriente Médio .
A estratégia vai além dos cartões de plástico. A Visa lançou, em dezembro de 2025, a liquidação direta em USDC (Circle) em sua rede nos EUA, permitindo que parceiros emissores e credenciadores liquidem transações diretamente na blockchain . No front doméstico, a adoção de pagamentos por aproximação (tap-to-pay) com integração on-chain já representa 80% das transações presenciais da empresa .
Sancionada pelo presidente Donald Trump em 18 de julho de 2025, a lei GENIUS (Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins) é a primeira estrutura regulatória federal abrangente para stablecoins de pagamento nos Estados Unidos .
A legislação ataca o principal ponto de incerteza do mercado ao estabelecer:
O efeito sobre a adoção foi imediato. O fact sheet da Casa Branca afirma que a lei foi desenhada para "garantir estabilidade e confiança" e "facilitar o desenvolvimento e a inovação de stablecoins lastreadas em dólar" . Na prática, o GENIUS Act deu a segurança jurídica que faltava para que bancos e grandes fintechs entrassem de cabeça no mercado, destravando o crescimento exponencial visto nos trimestres seguintes .
Enquanto as redes privadas de stablecoins se expandem, os bancos centrais também se movimentam, ainda que em um ritmo diferente. O Projeto Agorá, liderado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) em conjunto com sete bancos centrais (incluindo o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e o Banco do Japão), é a principal iniciativa pública na área.
Trata-se de um projeto de CBDC (moeda digital de banco central) para uso no atacado. A proposta é criar um sistema unificado e programável de dinheiro tokenizado de banco central para liquidações internacionais. É uma espécie de alternativa das autoridades monetárias aos trilhos privados das stablecoins, como Tron e Ethereum, para pagamentos de grande valor e transferências entre países.
Nota: Devido ao escopo da consulta, não foi possível buscar as atualizações mais recentes da fase-piloto do projeto até maio de 2026. A descrição acima se baseia nos fundamentos públicos da iniciativa.