Quanto tempo vai durar? Múltiplos analistas projetam que a escassez persista pelo menos até 2027 e possivelmente até 2028. A S&P Global observa que os principais fornecedores estão atendendo apenas cerca de 60% da demanda . Uma análise interna da SK Hynix prevê um aperto no fornecimento de DRAM de uso geral até 2028, já que a construção de novas fábricas e a expansão da produção levam anos
. A Omdia elevou sua previsão de receita de semicondutores para 2026 em 62,7%, impulsionada pelo aperto contínuo no mercado de memória
.
Para as fabricantes de PCs, a conta é simples: elas não conseguem garantir DRAM suficiente e a preços acessíveis dos fornecedores tradicionais. É aí que entra a CXMT.
A ChangXin Memory Technologies, com sede em Hefei, na China, emergiu como a quarta maior fornecedora de DRAM do mundo. No primeiro trimestre de 2026, a CXMT capturou cerca de 8% do mercado global de DRAM . A empresa produz memórias DDR4 e DDR5, e seus chips já aparecem em laptops Lenovo vendidos na China
.
Em comparação, os "Três Grandes" — Samsung, SK Hynix e Micron — controlam a grande maioria do mercado. Mas, com esses fornecedores priorizando a HBM para IA, qualquer fonte adicional de DRAM convencional se torna valiosa.
De acordo com reportagens da Nikkei Asia e da Reuters, as fabricantes de PCs já tomaram medidas concretas em direção ao fornecimento de memória chinesa .
HP começou a qualificar formalmente os produtos de DRAM da CXMT no início de 2026. A empresa está monitorando as condições de fornecimento até meados do ano e pode começar a adquirir chips da CXMT para mercados fora dos EUA se a escassez persistir .
Dell está testando a DRAM da CXMT como uma fonte de backup preventiva, temendo que os preços da memória permaneçam elevados ao longo do ano .
Acer e Asus pediram a seus parceiros de manufatura contratada na China que adquiram chips de memória chineses, embora estejam em estágio inicial de avaliação. O chairman da Acer, Jason Chen, declarou publicamente que a nova capacidade chinesa poderia ajudar a estabilizar o fornecimento e os custos .
Lenovo — uma empresa com sede na China, mas com operações globais — está mais avançada. A Caixin Global reportou em novembro de 2025 que a CXMT estava fornecendo DDR5 para a Lenovo e, em março de 2026, alguns modelos da série Lenovo ThinkBook 2026 já chegavam com módulos de memória CXMT .
Apesar dessa movimentação, todas as grandes empresas afirmaram publicamente que a qualificação não garante pedidos. HP e Dell enfatizaram que a avaliação é uma medida de contingência, não uma adoção em larga escala .
A maior barreira para a adoção em larga escala da memória CXMT por fabricantes ocidentais de PCs não é técnica — é regulatória. A CXMT opera sob uma nuvem complexa e não resolvida de segurança nacional dos EUA.
Adiamento da lista negra: Em junho de 2026, o governo Trump adiou a inclusão da CXMT e de mais de 100 outras empresas chinesas em uma lista negra comercial, apesar de tê-las identificado formalmente como ameaças à segurança nacional. A decisão refletiu pressões concorrentes entre falcões da segurança e negociadores comerciais .
Controles de exportação de equipamentos: O Bureau de Indústria e Segurança (BIS) dos EUA tem reforçado progressivamente as regras de exportação de equipamentos de fabricação de semicondutores para a China, limitando a capacidade da CXMT de expandir sua produção e melhorar seus rendimentos. Um relatório de fevereiro de 2026 destacou que a CXMT enfrenta baixos rendimentos e acesso limitado a equipamentos avançados, com a expansão de capacidade "limitada por controles de exportação dos EUA mais rígidos" .
Remoção da lista do Pentágono: Em uma jogada contraditória, o Departamento de Defesa dos EUA removeu a CXMT de sua lista negra de empresas chinesas ligadas aos militares em janeiro de 2026, eliminando uma barreira de conformidade para algumas vendas comerciais .
Pressão legislativa: Projetos de lei bipartidários como o MATCH Act (H.R. 8170), apresentados em abril de 2026, visam restringir ainda mais as vendas de equipamentos para fabricação de chips a rivais chineses. A Micron, líder americana em memória, está fazendo lobby ativo por controles mais rigorosos .
A situação atual pode ser descrita como um plano de contingência com restrições significativas:
A escassez global de DRAM em meados de 2026 é uma das mais severas da história recente, impulsionada pela demanda de IA que desvia a capacidade da memória convencional. Em resposta, as fabricantes ocidentais de PCs estão dando o passo inédito de avaliar chips de memória chineses da CXMT — mas apenas como uma contingência, não como uma mudança completa. O ambiente regulatório incerto dos EUA, as próprias limitações de produção da CXMT e a enorme escala da demanda significam que Samsung, SK Hynix e Micron continuarão sendo os fornecedores dominantes para o mercado central de PCs ocidentais por anos.
Para quem compra PCs, a realidade de curto prazo é simples: os preços da memória devem permanecer elevados, e a escassez de DRAM continuará a moldar a disponibilidade e o preço dos produtos pelo menos até 2028.
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