Os controles de exportação japoneses. A partir de julho de 2023, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) incluiu 23 tipos de equipamentos avançados de fabricação de semicondutores em listas de exportação controlada, exigindo licenças para todos os destinos com base na Lei de Câmbio e Comércio Exterior . Na prática, essas restrições, coordenadas com a pressão dos EUA, bloqueiam a venda das máquinas mais modernas para a China
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O impacto na Tokyo Electron é um termômetro: as vendas para a China caíram de ¥279,4 bilhões para ¥175,5 bilhões apenas no terceiro trimestre fiscal de 2026, e a participação da China na receita da TEL despencou 8,5 pontos percentuais, para 31,8% . No acumulado entre o ano fiscal de 2025 e meados de 2026, a fatia da China na receita da TEL caiu de cerca de 44% para aproximadamente 30%
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Para conter o estrago, as empresas estão apostando em duas frentes:
Demanda explosiva por equipamentos para IA. As vendas globais de equipamentos semicondutores atingiram um recorde de US$ 135 bilhões em 2025, alta de 15% na comparação anual, puxadas por investimentos em lógica avançada e memórias de alta largura de banda (HBM) para inteligência artificial generativa . A Tokyo Electron afirma que a demanda por servidores de IA de ponta continua "muito forte" e espera que o investimento em DRAM cresça em dois dígitos até o final de 2026
. A empresa projeta que a receita vinda da IA chegue a 40% do total no ano fiscal de 2026
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A Disco, que fabrica retificadoras e dicers usados para cortar wafers de silício, tornou-se peça-chave na cadeia global de chips de IA. Nos nove meses encerrados em 31 de dezembro de 2025, suas vendas líquidas cresceram 11,5% e o lucro líquido subiu 8,7%, alimentados pelos gastos de TSMC, SK Hynix e Samsung .
Migração para Coreia do Sul e Taiwan. Os números da TEL no terceiro trimestre fiscal de 2026 mostram que a participação da Coreia do Sul nas vendas líquidas saltou 6 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, para 27,1% . No ano fiscal de 2025, as fatias da Coreia do Sul e de Taiwan subiram 4,9 e 2,4 pontos percentuais, respectivamente, para 22,4% e 20,7%
. Screen Holdings e Disco seguem o mesmo padrão
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Liderança tecnológica como escudo. A TEL colocou em operação a gravação criogênica para chips de 2 nm no início de 2025, elevando a precisão e as barreiras de entrada para concorrentes chineses . A empresa mantém um quase monopólio em segmentos-chave — cerca de 88% a 90% do mercado global de equipamentos de coater/developer —, o que lhe dá poder de precificação que as alternativas chinesas ainda não conseguem igualar
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Analistas veem um risco estrutural de que os fornecedores japoneses sejam deslocados permanentemente do mercado chinês:
Autossuficiência acelerada. A China está de olho em uma meta de 40% de autossuficiência em equipamentos e materiais semicondutores até 2026 e já incluiu 40 empresas japonesas em suas listas de controle de exportação e de "entidades não confiáveis" . Especialistas chineses definem as restrições japonesas como "contraproducentes" — fortalecendo justamente a indústria doméstica que o Japão queria frear
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Retaliação chinesa. Em janeiro de 2026, o Ministério do Comércio da China (MOFCOM) impôs controles de exportação imediatos sobre itens de uso dual destinados ao Japão, proibindo remessas para usuários militares japoneses e restringindo amplamente o fluxo de materiais . As medidas abrangem terras raras e outros materiais críticos em que a China domina o processamento global, ameaçando causar rupturas nas cadeias de suprimento japonesas
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Uma janela que se fecha. A participação da China na receita das fabricantes japonesas está em queda estrutural. Analistas alertam que, quando as alternativas domésticas chinesas atingirem a maturidade, será difícil recuperar o mercado perdido . A pergunta já não é se o Japão vai perder espaço na China, mas quanto desse espaço conseguirá reconquistar se as restrições algum dia forem amenizadas.
A queda de 10% nas vendas para a China não é um acidente passageiro. É um movimento estrutural, impulsionado por política, geopolítica e concorrência industrial. A capacidade de migrar para a IA e diversificar geograficamente está mantendo as receitas à tona por enquanto. Mas o risco de um deslocamento permanente do maior mercado de equipamentos semicondutores do mundo — posição que a China mantém há seis anos consecutivos — continua sendo a ameaça mais pesada no horizonte.
Enquanto o ecossistema chinês amadurecer e as retaliações se intensificarem, os fornecedores japoneses enfrentam um desafio estratégico que nenhum boom de IA, isoladamente, conseguirá resolver.
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