A venda ocorreu em três ondas distintas:
Este foi o pior período para ETFs de Bitcoin à vista em todos os aspectos: maior saída em 30 dias, maior saída semanal, maior sequência consecutiva de saídas e fluxos no acumulado do ano (year-to-date) ficando atrás tanto de 2024 quanto de 2025 no mesmo ponto do calendário .
O gatilho macroeconômico imediato foi a declaração do Fed em junho, que removeu a linguagem sobre "progresso em direção à meta de 2%" de inflação. Dois membros votantes sugeriram publicamente que os cortes de juros esperados para o terceiro trimestre de 2026 poderiam ser adiados para 2027 . O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos subiu 18 pontos-base em três dias, atingindo 4,82%
. Para os alocadores institucionais, taxas livres de risco mais altas aumentam o custo de oportunidade de manter um ativo que não gera rendimento, como o Bitcoin, fornecendo uma razão matemática clara para vender
. Um relatório de folhas de pagamento (payroll) mais forte que o esperado reforçou a narrativa de "juros altos por mais tempo"
.
O fator competitivo mais importante que impulsionou as saídas foi a agressiva rotação de capital institucional saindo de criptomoedas e indo para ações de inteligência artificial (IA), que ofereciam momentum baseado em lucros e visibilidade de fluxo de caixa mais clara .
A Reuters informou que o boom das ações de IA e uma série de listagens de alto perfil — como a SpaceX — estavam ativamente atraindo capital que antes ia para o Bitcoin . O padrão é claro: IPOs de tecnologia e IA de grande capitalização estão competindo pelo mesmo orçamento de risco institucional que anteriormente fluía para ETFs de criptomoedas
.
O risco geopolítico no Oriente Médio foi citado pela Binance Research como um fator estrutural que acelerou a retirada institucional em junho, agravando a incerteza macroeconômica . O agravamento das tensões entre EUA e Irã fez o preço do petróleo disparar mais de 5% no início de junho e contribuiu para um clima generalizado de "aversão ao risco" (risk-off) nos mercados globais
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O GBTC da Grayscale — que cobra uma taxa de administração de 1,50% contra cerca de 0,25% dos concorrentes — foi responsável por uma parcela desproporcional do estrago. Os investidores finalmente migraram do produto de alta taxa em massa, adicionando aproximadamente US$ 1 bilhão ou mais aos números de saída total .
As saídas recordes tiveram um impacto imediato e severo no preço do Bitcoin. O Bitcoin caiu cerca de 17% no mês, passando de aproximadamente US$ 77.000 em meados de maio para cerca de US$ 64.167 em 21 de junho . Os momentos-chave incluíram:
Alguns analistas apontaram para um piso potencial no preço realizado do Bitcoin, de aproximadamente US$ 53.600, embora os dados sugiram que o fundo pode ainda não ter chegado .
O sentimento do mercado ficou frágil. A demanda enfraqueceu simultaneamente nos mercados à vista, futuros e ETFs institucionais, sem uma capitulação clara em perdas realizadas ainda observada . O sentimento de "aversão ao risco" dominou, e a demanda institucional estava notavelmente ausente
. A dominância do Bitcoin permaneceu elevada, perto de 59%, mas não porque o BTC estava forte — as altcoins estavam sofrendo ainda mais
.
Analistas do Investing.com descreveram a saída semanal de US$ 3,4 bilhões como "mais cíclica do que estrutural", argumentando que o sangramento do ETF reflete um episódio de aversão ao risco impulsionado pelas taxas de juros e pela rotação para IA, em vez de uma perda permanente de fé no Bitcoin como classe de ativos . No entanto, com as saídas ainda em andamento no final de junho e nenhum sinal claro de capitulação, a trajetória de curto prazo depende da comunicação do Fed, do momentum dos lucros da IA e da estabilização da situação no Oriente Médio
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O principal risco: se o Fed confirmar que não haverá cortes de juros em 2026 e as ações de IA continuarem a ter desempenho superior, a rotação institucional para fora dos ETFs de Bitcoin pode se aprofundar ainda mais antes de se estabilizar.