A Panache Digital Games respondeu rapidamente com um comunicado oficial no Reddit. O estúdio confirmou que emprega uma equipe de arte dedicada, com mais de uma dúzia de artistas experientes, e que, após investigar as preocupações da comunidade, descobriu que “algumas versões iniciais de recursos gerados por IA acabaram entrando na versão do prólogo — incluindo alguns retratos dentro do jogo e materiais de marketing externos” .
O comunicado trazia um pedido de desculpas direto e uma promessa:
“Assumimos a responsabilidade por esta falha e pedimos desculpas por qualquer aborrecimento que isso tenha causado. Fiquem tranquilos que a versão de Acesso Antecipado e o jogo completo não incluirão nenhum recurso gerado por IA.”
O estúdio se comprometeu a revisar os arquivos questionados e a substituí-los por versões feitas à mão em uma atualização futura . Até meados de junho de 2026, essa correção ainda não havia sido lançada, e a Panache não havia esclarecido se o uso da IA foi, de fato, um acidente ou algo deliberado.
A controvérsia com a Panache não foi um caso isolado. A mesma semana teve outras duas grandes polêmicas com IA, transformando o Summer Game Fest 2026 em um verdadeiro ponto de inflexão para a tecnologia na indústria de jogos:
Crazy Taxi: World Tour (Sega). Revelado durante a Xbox Games Showcase em 7 de junho, o jogo foi atingido por uma reação negativa imediata quando um aviso legal sobre o uso de IA generativa foi descoberto em sua página na Steam . A Sega confirmou, mais tarde, que a IA foi usada “para apoiar nossas equipes durante o desenvolvimento de recursos de plano de fundo”
. O criador da série, Kenji Kanno, saiu em defesa da prática, dizendo que a IA foi usada apenas “como referência” por artistas que, em seguida, criaram os recursos finais manualmente
. A opinião dos fãs, porém, rapidamente azedou
.
Coletânea Kingdom Hearts para Switch 2 (Square Enix). Durante a Nintendo Direct em 9 de junho, suspeitas robustas surgiram de que a arte principal da coletânea de Kingdom Hearts para o Switch 2 havia sido gerada por IA. Observadores apontaram inconsistências bizarras no cabelo dos personagens e derretimentos estranhos nos detalhes de fundo como evidências claras de geração artificial. Até o momento, a Square Enix não havia se pronunciado .
O agrupamento de três controvérsias de IA separadas durante o Summer Game Fest, a Xbox Games Showcase e a Nintendo Direct escancarou o quanto o público gamer de 2026 está sensível ao uso de IA generativa para a criação de arte .
Uma parcela significativa da comunidade de jogadores segue sem se convencer pelo pedido de desculpas da Panache. O argumento central é uma questão de credibilidade: um estúdio com 70 desenvolvedores e uma equipe dedicada de artistas experientes não poderia, “acidentalmente”, ter incluído arte gerada por IA tanto nos recursos do jogo quanto em seus materiais de marketing oficiais sem que ninguém percebesse.
Os críticos apontam vários fatores que alimentam essa dúvida. A narrativa da “falha” soa forçada porque os recursos problemáticos estavam na demonstração que foi ao ar e nas páginas públicas das lojas — não em protótipos internos. A velocidade do pedido de desculpas e a promessa de substituir tudo seguem o mesmo script de escândalos anteriores. Em março de 2026, a desenvolvedora de Crimson Desert, Pearl Abyss, usou uma linguagem quase idêntica para descrever recursos de IA como uma “experimentação de desenvolvimento inicial” que entrou no produto final “por engano” . Muitos jogadores acreditam que a Panache usou IA de propósito, para economizar tempo e dinheiro no prólogo, e só recuou quando a reação negativa ameaçou as vendas do jogo
.
Um portal de games chinês resumiu o sentimento de forma certeira: “A Panache Digital Games não se fez de morta — emitiu uma nota rapidamente. Mas a leitura da comunidade é: ‘erramos, não faremos mais nas próximas versões’. O subtexto que muitos escutam é ‘fomos pegos, então vamos parar’.”
Até o momento, o estúdio não enfrentou a principal acusação: a de que o uso de IA foi deliberado, e não acidental. Esse silêncio mantém a pulga atrás da orelha da comunidade, que vai fiscalizar com lupa a prometida atualização. O recado dos jogadores em 2026 é claro e em alto e bom som: arte gerada por IA em jogos finalizados não é mais algo que estão dispostos a tolerar.