Naquele dia, milhares marcharam nas principais cidades sul-africanas, mobilizados pelo March and March. As marchas foram em sua maioria pacíficas, mas registraram episódios esporádicos de violência e saques . Os organizadores ameaçaram realizar protestos semanais daí em diante .
Em 20 de maio de 2026, a Human Rights Watch documentou que vigilantes na África do Sul realizaram ataques xenofóbicos violentos contra cidadãos estrangeiros africanos e asiáticos em abril e maio de 2026, com resposta insuficiente — ou nenhuma — da polícia e das autoridades. A HRW apontou o movimento cidadão March and March como o motor desses ataques .
Vigilantes bateram de porta em porta em Joanesburgo e Durban à procura de imigrantes indocumentados, agredindo muitos dos que encontravam . Depoimentos colhidos pelo EL PAÍS descrevem grupos de homens sul-africanos entrando em bairros de imigrantes, com vítimas relatando: "Mesmo na frente da polícia, eles podem bater em você e ninguém te protege" .
A onda de violência contra imigrantes forçou mais de 160 mil pessoas a fugir da África do Sul até o final de julho de 2026, segundo a France 24 . Quênia, Malauí, Nigéria e Uganda iniciaram esforços de repatriação . Pelo menos quatro imigrantes tiveram a morte confirmada na violência, embora alguns governos estrangeiros afirmem que o número é maior .
Mais de 50 mil imigrantes indocumentados foram repatriados da África do Sul em um único mês durante o auge da repressão, de acordo com múltiplos relatos que acompanham as saídas em massa . O governo sul-africano intensificou as ações de fiscalização em meio à campanha liderada pelo March and March, contribuindo para o êxodo geral .
Gana lançou um exercício de evacuação voluntária em múltiplas fases para seus cidadãos. O governo anunciou um pacote abrangente de acolhimento "Welcome Home" que inclui:
A primeira fase evacuou cerca de 300 nacionais em maio de 2026 . Na segunda fase, anunciada no final de julho, estima-se que 1.000 ganeses adicionais foram evacuados, com o empresário Ibrahim Mahama apoiando o esforço . O plano total de evacuação cobriu quase 2 mil repatriados . Cidadãos ganeses também protocolaram uma petição no Tribunal Penal Internacional (TPI) em 22 de julho de 2026, pedindo uma investigação sobre a violência xenofóbica . A África do Sul rejeitou a petição .
Em 24 de julho de 2026, o presidente Cyril Ramaphosa enviou uma delegação especial a Abuja liderada pelo ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola, para tratar da crise . A delegação chegou em meio à indignação renovada pela suposta tortura e morte do cidadão nigeriano Chika Ibe por policiais sul-africanos na Cidade do Cabo .
O presidente Bola Tinubu se recusou a receber pessoalmente a delegação sul-africana e determinou que ela se reunisse com o ministro de Estado das Relações Exteriores, embaixador Sola Enikanolaiye . Múltiplos veículos de imprensa nigerianos (Punch, Sahara Reporters, ThisDay, Arise TV) confirmaram o des ar. Alguns depois reportaram que Tinubu acabou concordando em encontrar o enviado após um telefonema com Ramaphosa .
O impasse diplomático marcou uma das tensões mais sérias entre as duas maiores economias da África em anos.
A crise provocou uma série de respostas institucionais para além dos esforços individuais de cada país:
A África do Sul vive ondas periódicas de violência xenofóbica desde 2008, mas a de 2026 se destacou pela organização e escala . O New York Times reportou que "os ativistas anti-imigrante parecem mais coordenados, e a reação de outras nações africanas é mais intensa" . No final de julho de 2026, a situação seguia volátil, com protestos semanais contínuos e nenhuma solução clara à vista.