Enquanto as primeiras partes examinavam as estratégias de negócios, a influência política e a propriedade de veículos de mídia de Arnault (ele controla Les Echos, Le Parisien e a Rádio Classique), a explosiva edição final, publicada em 24 de julho, foi mancheteada como "A sucessão de Bernard Arnault, o elefante na sala da LVMH" .
O jornal descreveu um ambiente familiar onde "você não discute, você conspira" . A reportagem alegou que a criação deliberada de todos os cinco filhos como potenciais sucessores criou uma disputa nos bastidores que "fragilizou tanto sua família quanto seu grupo" . A manchete francesa da peça final foi ainda mais direta, chamando a questão da sucessão de "o veneno no coração da LVMH" .
O mercado não esperou o fim da série para reagir. Durante a semana em que as reportagens foram publicadas, cerca de US$ 15 bilhões (aproximadamente €13-15 bilhões, dependendo da taxa de câmbio) evaporaram do valor de mercado da LVMH . Essa venda massiva de ações refletiu a ansiedade dos investidores com a dinâmica de sucessão não resolvida e o risco percebido de uma briga familiar desestabilizadora no grupo de luxo mais lucrativo do mundo.
No domingo, 26 de julho, apenas dois dias após a edição final, Bernard Arnault quebrou seu característico silêncio público de uma forma que ninguém jamais tinha visto . Ele publicou uma carta aberta de três páginas intitulada "Merci" ("Obrigado") na conta oficial de imprensa da LVMH no X . A atitude foi inédita, marcando sua primeira incursão pessoal na plataforma de mídia social .
O tom foi sarcástico e desafiador desde a primeira linha. Arnault começou escrevendo: "Parece que sou o chefe da 'última família real da França'. Soube disso lendo o Le Monde entre duas xícaras de chá" . Ele ironizou que seus filhos perguntaram, brincando, se ele agora teria que "repintar o brasão da família" .
Acusou o Le Monde de decidir "sacar a artilharia pesada: seis edições do jornal inteiramente dedicadas à minha humilde pessoa" . A carta foi uma negação categórica de qualquer "rachadura" ou "fissura" familiar . Arnault escreveu: "Com os Arnault, aparentemente, não há discussão, apenas conspiração; não há deliberação, apenas rivalidade. É coisa de romance" . Sua resposta, notadamente, não contestou nenhum fato específico da investigação, atacando, em vez disso, o enquadramento geral e as motivações do jornal .
Apesar do dramático embate público, a pergunta fundamental no centro de todo o caso permanece sem resposta. Arnault consistentemente se recusa a nomear um sucessor ou estabelecer um prazo para sua saída . Na assembleia de acionistas da LVMH em abril de 2026, ele foi pressionado sobre o assunto e novamente se esquivou. Pela primeira vez, ele passou o microfone para cada um de seus cinco filhos durante a reunião, mas não fez nenhuma designação . A mudança de regras em 2025, que eliminou o limite de idade para o CEO da LVMH, permitindo que Arnault permaneça no comando até os 85 anos, só aprofundou a incerteza .
Como o próprio Le Monde concluiu, a família apresenta uma frente unida enquanto a luta pela sucessão continua nos bastidores .
A saga está longe de terminar. A oscilação de US$ 15 bilhões no mercado, a estreia pessoal do bilionário nas redes sociais e o futuro não resolvido do maior império de luxo do mundo apontam para uma conclusão: a "família real da França" tem uma crise de sucessão, quer seu patriarca admita publicamente ou não.