Essa reticência pública é consistente com um padrão de longo prazo. Em agosto de 2025, a Bloomberg reportou que o Kremlin estava "avaliando opções para uma concessão a Trump que poderia incluir uma trégua aérea com a Ucrânia" para evitar a ameaça de sanções secundárias, mesmo enquanto permanecia "determinado a continuar sua guerra" . Isso sugere que Moscou vê uma trégua aérea limitada menos como um caminho genuíno para a paz e mais como uma alavanca tática para aliviar a pressão econômica.
O Kremlin oscilou entre declarações evasivas, abertura tática e rejeição total a qualquer compromisso substantivo. Em novembro de 2025, Peskov descreveu as conversas facilitadas pelos EUA como "sérias", mas descartou firmemente fazer "concessões significativas" a Kiev . Esse padrão de encarar as negociações como uma ferramenta para extrair concessões enquanto se preserva a capacidade de escalada continua sendo uma característica central da abordagem de Moscou.
No centro dos esforços diplomáticos dos EUA estão duas figuras que atuam fora dos canais tradicionais do Departamento de Estado: o Enviado Especial para a Paz, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente Trump. Sua diplomacia de alto nível tem sido o núcleo do contato americano tanto com a Rússia quanto com a Ucrânia.
A linha do tempo diplomática inclui vários marcos importantes:
Apesar desses esforços intensos, um avanço permaneceu ilusório. A Casa Branca inicialmente redigiu um plano de paz de 28 pontos no final de novembro de 2025, que foi amplamente criticado por envolver concessões dolorosas da Ucrânia . A versão subsequente de 19 pontos foi igualmente rejeitada por Putin.
A avaliação dos EUA sobre a disposição da Rússia em negociar mudou sensivelmente em resposta à campanha ucraniana de ataques de longo alcance contra a infraestrutura militar e industrial russa.
Em meados de 2025, o enviado americano Keith Kellogg acusou a Rússia de "enrolar" nas negociações de paz, uma acusação que o Kremlin negou . O impasse levou a uma reviravolta estratégica. Em outubro de 2025, os EUA expandiram sua colaboração de inteligência com a Ucrânia, especificamente para atingir alvos mais profundos dentro da Rússia. Isso fez parte de um esforço mais amplo para pressionar Moscou a voltar às negociações, após o fracasso da Cúpula do Alasca em agosto de 2025 em produzir um acordo de paz . Um oficial americano descreveu a medida como uma "mudança estratégica" para pressionar Moscou .
Em julho de 2026, o impacto cumulativo desses ataques estava sendo avaliado. O chefe do Gabinete Presidencial ucraniano, Kyrylo Budanov, afirmou que a Ucrânia e os EUA revisaram conjuntamente o impacto dos ataques profundos dentro da Rússia sobre "a disposição das elites e da sociedade russas em retomar as negociações e acabar com a guerra" . O Kyiv Independent reportou que um oficial americano disse que a Casa Branca agora acredita que "o Kremlin pode estar mais disposto a aceitar pelo menos um cessar-fogo parcial no ar, à medida que a Ucrânia expande seus ataques dentro da Rússia" .
No entanto, sinais contraditórios persistem. Um importante negociador americano alertou aliados europeus em novembro de 2025 de que a Rússia estava acumulando mísseis em vez de se preparar para a paz . O secretário Rubio negou repetidamente que qualquer acordo formal tenha sido alcançado, inclusive na Cúpula do Alasca em agosto de 2025 , e os EUA também acusaram a Rússia de intensificar ataques durante as negociações .
O histórico de tentativas de cessar-fogo neste conflito é marcado por fracassos, fornecendo um contexto sóbrio para as conversas atuais.
O Cessar-Fogo de Maio de 2025: A Rússia propôs um cessar-fogo unilateral de três dias de 9 a 11 de maio de 2025, coincidindo com as comemorações do Dia da Vitória. A Ucrânia rejeitou a proposta, com o presidente Zelensky a chamando de "show teatral" e insuficiente para negociações significativas . Após o período expirar, a Rússia retomou os ataques maciços de drones, lançando 108 drones em 11 de maio .
O Cessar-Fogo de Maio de 2026: Uma tentativa mais significativa, o presidente Trump mediou um cessar-fogo mútuo de três dias para 9 a 11 de maio de 2026, atrelado a uma troca de prisioneiros de 1.000 de cada lado . Ambas as partes se acusaram mutuamente de violações dentro de horas de seu início . A Ucrânia chamou a trégua de "farsa" , enquanto a Rússia afirmou que a Ucrânia continuou lutando. A trégua terminou formalmente em 12 de maio de 2026, sem nenhum acordo duradouro .
Além desses, um histórico mais amplo de cessar-fogo mostra a dificuldade de acordos mesmo limitados. A trégua do Mar Negro e da infraestrutura energética em março de 2025, acordada em Riad, viu Washington buscar alívio de sanções em troca, mas também foi atormentada por acusações mútuas de violações . Múltiplas rodadas de conversas em Istambul em meados de 2025 foram relatadas, mas não produziram nenhum avanço .
No final de julho de 2026, nenhuma agenda confirmada para uma reunião direta entre o presidente Zelensky e o presidente Trump foi encontrada nas fontes disponíveis. As evidências mostram que Witkoff e Kushner serviram como os principais intermediários, com delegações ucranianas voando para os EUA para conversas em Miami e na Flórida . O presidente Putin, e não o presidente Zelensky, tem sido o principal interlocutor direto da equipe americana, tendo se encontrado com eles duas vezes em Moscou. Uma cúpula direta entre Zelensky e Trump pode estar planejada, mas não é confirmada pelas evidências analisadas. A reunião presencial confirmada mais recente entre os dois líderes foi na Casa Branca em outubro de 2025 .