O resultado, incorporado ao Linux 7.0 em abril de 2026, é o arquivo Documentation/process/coding-assistants.rst — um documento curto e prático que estabelece três regras:
Assisted-by: identificando o nome e a versão do modelo, por exemplo, Assisted-by: ChatGPT-4 (gpt-4-0314) [GitHub Copilot]A postagem de Torvalds de 15 de julho de 2026 na lista de discussão do kernel deixou clara sua lógica subjacente: ferramentas de IA são auxiliares de produtividade opcionais, análogas a compiladores ou depuradores, e o kernel não deve se tornar "um daqueles projetos anti-IA" que bane ferramentas úteis . Ele alertou sobre desvantagens práticas, mas disse que os mantenedores devem adaptar as ferramentas e práticas de revisão em vez de impor proibições no topo
.
A abordagem do Debian é diametralmente oposta. Em 24 de julho de 2026, o projeto abriu o período de discussão para a Resolução Geral vote_002, "LLM usage in Debian", proposta pelo desenvolvedor Matthias Geiger e secundada por sete contribuintes, incluindo Ian Jackson . A página de votação oficial do Debian afirma que o objetivo da resolução é "proibir expressamente quaisquer contribuições ao Debian escritas com o uso ou assistência de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) ou outras ferramentas de IA generativa"
.
A proibição proposta cobre um amplo escopo de contribuições diretas ao Debian:
Importante: a resolução exclui explicitamente projetos upstream que usam LLMs para seu próprio desenvolvimento, software relacionado a IA empacotado pelo Debian e patches ou correções de segurança upstream .
A Resolução Geral apresenta aos eleitores múltiplas opções de votação:
A resolução cita quatro categorias de preocupação: incerteza legal sobre o status de direitos autorais da saída gerada por LLM, riscos de degradação de qualidade e precisão, impactos na saúde da comunidade, incluindo a sobrecarga dos revisores, e questões éticas ligadas às práticas de treinamento de LLM . O Debian vê o código gerado por IA como um potencial risco à cadeia de suprimentos e legal para a distribuição
.
Esta não é a primeira tentativa do Debian por uma política de IA. Em fevereiro-março de 2026, um rascunho de Resolução Geral proposto pelo ex-líder do Projeto Debian, Lucas Nussbaum, teria permitido contribuições assistidas por IA sob sete condições, incluindo divulgação obrigatória e tags legíveis por máquina . Após semanas de intenso debate na lista de discussão, a comunidade abandonou a votação inteiramente, optando por continuar lidando com contribuições de IA caso a caso
. O esforço de julho de 2026 é uma nova proposta, mais restritiva, que alguns observadores veem como uma reação ao fracasso anterior em chegar a um consenso
.
| Dimensão | Kernel Linux (Torvalds) | Projeto Debian |
|---|---|---|
| Postura | Aberta, permissiva | Restritiva, cautelosa |
| Ferramentas de IA | Permitidas como auxiliares de produtividade | Proposta de proibição total do trabalho assistido por LLM |
| Racional | Ferramentas são opcionais; humanos permanecem responsáveis; proibir é impraticável | Ambiguidade legal/de licenciamento; risco de qualidade; princípio da autoria humana |
| Mecanismo chave | Tag Assisted-by + Signed-off-by apenas por humanos | Proibição total via Resolução Geral |
| Tom da liderança | "Crie um fork ou vá embora" | Votação democrática dos desenvolvedores |
| Cronograma | Política formalizada em abril de 2026; Torvalds reafirmou em 15/07/2026 | Período de discussão aberto em 24/07/2026; data de votação ainda não anunciada |
Essas duas posições representam os polos de uma divisão cada vez mais profunda no ecossistema. Torvalds, como um ditador benevolente, pode tomar uma decisão rápida para receber ferramentas de IA e dizer aos dissidentes para criarem um fork . O Debian, como um projeto governado pela comunidade com fortes compromissos com os princípios do software livre e cautela legal, está trabalhando através de um processo democrático formal para proibir o que vê como uma ameaça existencial ao código aberto de autoria humana
.
Observadores observam que essa ruptura acompanha uma fragmentação mais ampla do código aberto: o Ubuntu abraçou a IA, enquanto outros projetos, como o Curl, baniram contribuições geradas por IA devido a preocupações com a qualidade . A votação do Debian, se aprovada, pode estabelecer um precedente poderoso sobre como as principais distribuições Linux lidarão com contribuições geradas por IA no futuro
.
Para os contribuintes que navegam nesse cenário, a implicação prática é clara: o que é bem-vindo no kernel Linux pode ser uma violação de política no Debian. O ecossistema de código aberto não tem mais uma posição única sobre IA — ele tem um número crescente de posições concorrentes, e a escolha de cada projeto reflete seus valores de governança mais profundos.