A manutenção hawkish do BCE já estava precificada. Como esperado, o BCE manteve a taxa de depósito em 2,25%, a taxa principal de refinanciamento em 2,40% e a taxa de empréstimo marginal em 2,65% em 23 de julho . A presidente Christine Lagarde reconheceu que alguns membros do conselho pediram um aumento, mas o mercado interpretou o tom geral como insuficiente para impulsionar uma alta sustentada do euro . Não houve elemento surpresa para alimentar um rompimento .
O PMI da Zona do Euro teve um efeito passageiro. O S&P Global Flash Eurozone Composite PMI veio a 51,9 em julho, bem acima da estimativa de consenso de 50,9 e acima dos 50,0 de junho — marcando a primeira expansão em quatro meses . O euro saltou inicialmente cerca de 0,12% para cerca de 1,1386 , mas o ganho foi rapidamente revertido. A própria pesquisa sinalizou "alta inflação e o renovado conflito no Oriente Médio ensombrecendo as perspectivas", o que limitou qualquer entusiasmo .
A busca por segurança no dólar superou tudo. No final da sexta-feira, o EUR/USD havia caído abaixo de 1,1380, o nível que o ING havia identificado dias antes como uma meta de curto prazo . O par fechou perto de 1,1377 em 24 de julho .
O conflito no Oriente Médio acendeu a demanda por segurança. Os EUA lançaram uma nova rodada de ataques ao Irã e aos Houthis do Iêmen, que por sua vez alvejaram petroleiros no Mar Vermelho . O dólar se fortaleceu à medida que os investidores buscavam liquidez e ativos seguros, completando sua melhor semana em um mês . Analistas alertaram que "mesmo uma manutenção hawkish do BCE pode ter dificuldade em gerar uma alta sustentada do euro" neste cenário .
O petróleo disparou acima de US$ 100 o barril. O petróleo Brent subiu acima de US$ 100 pela primeira vez desde maio, tocando brevemente US$ 100,14 antes de se estabilizar . O Goldman Sachs sinalizou o risco de o Brent exceder US$ 120 no quarto trimestre se as interrupções no Estreito de Hormuz continuarem . Preços mais altos do petróleo alimentam temores de inflação, elevam os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e aumentam as apostas em aumentos de juros pelo Fed — todas dinâmicas que favorecem o dólar .
O PMI de Serviços dos EUA saltou para 53,6. O PMI de Serviços dos EUA veio a 53,6, firmemente em território de expansão, ampliando a vantagem de crescimento da economia dos EUA sobre a Zona do Euro . Embora o PMI Industrial dos EUA tenha caído para 53,8, a leitura composta permaneceu firmemente em expansão, mantendo o dólar sustentado .
Curto prazo: o ING mirou 1,1380 — e o par atingiu. Em 20 de julho, Chris Turner, do ING, escreveu que, com o Brent acima de US$ 90, o EUR/USD normalmente negociaria abaixo de 1,14, mas uma correlação mais apertada do que o usual entre os preços de energia e as taxas de swap de euro de curto prazo estava fornecendo algum suporte. Ele ainda favorecia um retorno para abaixo de 1,14, de olho em 1,1380 . Esse nível foi rompido no final da semana, confirmando um padrão de duplo topo com a linha de pescoço em 1,1380 e abrindo a porta para alvos de movimento medido perto de 1,1210 .
Final do ano: o ING ainda vê 1,17–1,18. A equipe de câmbio do ING, liderada por Francesco Pesole, projeta o EUR/USD encerrando 2026 perto de 1,18, impulsionado por esperados cortes de juros pelo Fed e um dólar americano mais fraco na segunda metade do ano . A mediana das metas de final de ano em 29 mesas institucionais é de 1,17 . No entanto, o ING admitiu que a previsão depende de uma desescalada no Oriente Médio, preços mais baixos do petróleo e uma virada dovish do Fed — nada disso é certo .
O próximo grande catalisador para o par é a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Fed em 28-29 de julho. Espera-se que o Fed mantenha as taxas estáveis, mas o foco estará no gráfico de pontos (dot plot) e na orientação futura . O aumento dos preços do petróleo elevou o risco de uma manutenção hawkish — ou seja, o Fed mantendo a porta aberta para novos aumentos, o que apoiaria ainda mais o dólar .
A incerteza antes da reunião mantém o EUR/USD em um intervalo. Os ursos estão de olho em 1,1300 em caso de quebra abaixo de 1,1400, com o próximo suporte na mínima de 2026 de 1,1325 . No lado positivo, a resistência está firmemente em 1,1480; até que os compradores recuperem esse nível, o caminho de menor resistência aponta para o sul .
| Fator | Impacto Direcional no USD |
|---|---|
| Escalada do conflito no Oriente Médio | Altista (fluxos de segurança) |
| Petróleo acima de US$ 100/bbl | Altista (medo de inflação, apostas em alta de juros, rendimentos mais altos) |
| PMI de Serviços dos EUA em 53,6 | Altista (desempenho superior de crescimento) |
| Manutenção hawkish do BCE (já precificada) | Neutro (sem catalisador para o euro) |
| Superação do PMI da Zona do Euro (51,9) | Ganho de curta duração para o euro (desapareceu rapidamente) |
| Reunião do Fed em 28-29 de julho (risco hawkish) | Altista (posicionamento defensivo para o USD) |
Conclusão: O EUR/USD está sendo espremido entre dados positivos para o euro e forças poderosas de apoio ao dólar — conflito no Oriente Médio, petróleo acima de US$ 100, um forte PMI de serviços dos EUA e expectativas hawkish para o Fed. A previsão de recuo de curto prazo do ING se materializou, mas sua visão de alta de médio prazo para o euro (1,17-1,18 no final do ano) depende de uma desescalada no Oriente Médio, preços mais baixos do petróleo e uma virada dovish do Fed no segundo semestre. Até lá, o par permanece vulnerável a novas quedas.