Veja como isso aconteceu, o que significam as sanções e o que vem a seguir para a FIDE.
O 21º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia, emitido em conexão com a invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, impôs medidas punitivas a 170 entidades e 48 indivíduos . Arkady Dvorkovich foi um deles, ao lado do Ministro dos Esportes da Rússia e Presidente do Comitê Olímpico Russo, Mikhail Degtyarev .
As sanções impõem uma proibição de viagem à UE e o congelamento de ativos. Como a FIDE tem sede na Suíça, medidas restritivas equivalentes sob a lei suíça também se aplicam . A base legal citada é o Regulamento da UE nº 269/2014 e a "Ordenança que institui medidas em relação à situação na Ucrânia" da Suíça .
O Ministro da Juventude e Esportes da Ucrânia, Matvii Bidnyi, declarou que Dvorkovich "promove os interesses do Kremlin enquanto ocupa o cargo de presidente da Federação Internacional de Xadrez" e "usa consistentemente sua posição para espalhar as narrativas do estado agressor e legitimar a Rússia no esporte mundial" .
Dvorkovich emitiu uma declaração oficial no site da FIDE, chamando as sanções de "ilegais e injustas" e anunciando que as contestaria "por todos os meios possíveis" na Justiça .
Mas ele também reconheceu um problema prático: até que uma decisão judicial formal seja proferida, as sanções "poderiam prejudicar o funcionamento estável da FIDE" . Então, ele suspendeu voluntariamente o exercício de seus poderes e deveres como Presidente da FIDE com efeito imediato, enquanto permanecer sujeito a sanções sob a lei da UE e da Suíça .
O Conselho da FIDE aceitou e ratificou a decisão, determinando especificamente que Dvorkovich não atue como "détenteur de contrôle" (proprietário, titular ou controlador) da FIDE ou de seus ativos durante a vigência das sanções .
Esta não é uma renúncia formal. Dvorkovich continua sendo presidente da FIDE apenas no nome, tendo transferido todos os direitos, deveres e autoridade ligados ao cargo .
O mecanismo para a transição já estava no regulamento da FIDE. De acordo com o Artigo 19.2 do Estatuto da FIDE, quando o Presidente não pode exercer seus poderes, o Vice-Presidente assume o cargo .
Viswanathan Anand atuava como Vice-Presidente da FIDE desde 2022, eleito junto com Dvorkovich . Como o 15º Campeão Mundial, Anand torna-se o primeiro campeão a comandar a federação desde Max Euwe, na década de 1970 . Ele atuará como Presidente Interino enquanto Dvorkovich permanecer sujeito às sanções da UE e da Suíça .
O histórico de Dvorkovich o tornou um alvo inevitável. Ex-Vice-Primeiro-Ministro da Rússia (2012–2018) e associado próximo de Vladimir Putin, ele foi eleito Presidente da FIDE em 2018 e reeleito em 2022 .
A UE vinha se movimentando para sancionar Dvorkovich há meses. Já em fevereiro de 2026, documentos vazados da UE mostravam que ele estava incluído em pacotes de sanções por "apoiar publicamente a anexação da Crimeia e reconhecer a independência de Donetsk e Luhansk" . Ele foi removido de um rascunho anterior em abril de 2026 após suposto lobby, mas foi incluído no 21º pacote .
Desde a invasão de 2022, a FIDE enfrenta críticas contínuas por manter laços estreitos com o establishment russo do xadrez. Dvorkovich resistiu aos apelos para romper o relacionamento da FIDE com patrocinadores estatais russos e defendeu a participação de jogadores russos e bielorrussos sob bandeiras neutras, embora sob condições de restrições . Ele também declarou publicamente que renunciaria se fosse colocado em uma lista internacional de sanções .
A ascensão de Anand é uma consequência direta e imediata do 21º pacote de sanções da UE contra Dvorkovich. Dvorkovich não renunciou de fato, mas suspendeu todos os poderes para evitar desestabilizar a FIDE, enquanto promete lutar contra as sanções na Justiça. Anand, já Vice-Presidente, assumiu com base no Estatuto da FIDE e servirá como líder interino enquanto durarem as sanções.