No início da crise, o tráfego diário médio era de cerca de três petroleiros por dia, aproximadamente um décimo dos volumes normais . Um relatório separado da UNCTAD, baseado em dados da Clarksons, mostrou uma queda de 97% nas travessias diárias nos primeiros dias após o início do conflito, no final de fevereiro de 2026 .
A recuperação tem sido frágil. Um acordo provisório entre EUA e Irã em junho de 2026 impulsionou brevemente o tráfego — 125 travessias foram registradas na semana após o cessar-fogo —, mas um novo ataque a um navio de carga em 24 de junho despedaçou a confiança . Em julho, o bloqueio dos EUA foi reimposto e o estreito estava novamente efetivamente fechado ao tráfego comercial .
Os custos do frete de contêineres dispararam em sintonia com a perturbação em Ormuz. O Índice Mundial de Contêineres (WCI) da Drewry subiu 2% semana a semana, para US$ 4.639 por contêiner de 40 pés em 9 de julho de 2026, o maior nível desde setembro de 2024 . A alta foi liderada pelas rotas Ásia-Europa:
O WCI vinha subindo de forma constante ao longo do primeiro semestre de 2026, com leituras anteriores de US$ 3.969 em meados de junho (alta de 12% na semana) e US$ 3.549 no início de junho .
Alegações de um aumento específico de 120% nas taxas spot do transpacífico (Ásia para a Costa Oeste dos EUA) e de 85% para a Costa Leste não puderam ser diretamente confirmadas pelas fontes consultadas. As evidências mostram que as taxas do transpacífico estavam firmes, mas os percentuais específicos exigem uma fonte primária.
Em 22 de julho de 2026, a gigante francesa de navegação CMA CGM anunciou uma sobretaxa de emergência sobre o combustível, variando de US$ 65 a US$ 165 por contêiner, com vigência a partir de 1º de agosto, citando a renovada escalada de hostilidades no Estreito de Ormuz . A sobretaxa permanecerá em vigor até novo aviso .
O aviso da CMA CGM (Advisory #12) detalha os valores: para longos percursos (head hauls), serão cobrados US$ 150 por TEU para contêineres secos e US$ 165 por TEU para contêineres refrigerados . Para os percursos de retorno (back hauls), os valores são de US$ 75/TEU (seco) e US$ 90/TEU (refrigerado) .
O gatilho: os preços dos combustíveis marítimos (bunker) reverteram a recente queda. O óleo combustível com muito baixo teor de enxofre (VLSFO) subiu acima de US$ 800 por tonelada métrica em Fujairah e LA/Long Beach, perto de US$ 785 em Cingapura e acima de US$ 700 em Houston . Os preços do óleo diesel marítimo (MGO) ultrapassaram US$ 1.370 por tonelada métrica em Fujairah e LA/Long Beach .
Como resumiu uma análise: "Suas prateleiras vão sentir no bolso" .
O quadro mais amplo do comércio mostra uma economia operando sob fortes pressões de preços. A Atualização do Comércio Global da UNCTAD (julho/agosto de 2026) estima que o comércio global de bens atingiu aproximadamente US$ 13,7 trilhões no primeiro semestre de 2026, um aumento de 12,5% em comparação com o mesmo período de 2025 . O comércio de serviços cresceu 10,5%, e a soma de bens e serviços adicionou cerca de US$ 2 trilhões ao comércio global, colocando-o no caminho para um valor anual recorde .
No entanto, a UNCTAD observou que a expansão foi "apoiada em parte por preços mais altos", e não pelo crescimento puramente no volume físico . Em um relatório separado, o Banco Mundial confirmou que os valores do comércio global continuaram a subir no início de 2026, mas alertou que os ganhos foram parcialmente impulsionados por preços . O relatório Situação e Perspectivas da Economia Mundial 2026 da ONU projeta um crescimento global desacelerando para 2,7% em 2026, abaixo dos níveis de 2025 e da média pré-pandemia .
A inflação dos custos de frete desencadeada pela crise de Ormuz é um exemplo clássico de choque de oferta (cost-push). Os preços dos combustíveis marítimos dispararam, alimentando diretamente os custos de transporte e, em seguida, os preços ao consumidor. Isso cria um dilema estagflacionário para os bancos centrais: aumentar as taxas de juros para combater o aumento de preços iria deprimir ainda mais a demanda e o crescimento, mas não fazer nada corre o risco de incorporar expectativas de inflação mais altas.
O mecanismo é bem estabelecido na teoria macroeconômica e é fortemente apoiado pelas evidências da crise atual. No entanto, nenhuma declaração específica de banco central abordando a inflação ligada a Ormuz foi capturada na pesquisa.
| Alegação | Status | Fonte |
|---|---|---|
| 53 travessias/semana em Ormuz, queda de ~66% | Confirmado | CNBC/Lloyd's List, 21 jul |
| Drewry WCI US$ 4.639/40ft em 9 jul 2026 | Confirmado | Drewry via vários veículos |
| UNCTAD: US$ 13,7T em comércio de bens no 1º semestre de 2026, +12,5% | Confirmado | UNCTAD jul/ago 2026 |
| Sobretaxa CMA CGM de US$ 65–US$ 165 por contêiner, a partir de 1º ago | Confirmado | Reuters , aviso CMA CGM |
| VLSFO acima de US$ 800/t métrica em Fujairah e LA/Long Beach | Confirmado | ShipUniverse |
| Aumento de 120% no spot transpacífico (Ásia–Costa Oeste dos EUA) | Não verificado | Não encontrado na pesquisa |
| Aumento de 85% no spot transpacífico (Ásia–Costa Leste dos EUA) | Não verificado | Não encontrado na pesquisa |
| IPC de transportes dos EUA +5,0% (março de 2026) | Não verificado | Não encontrado na pesquisa |
| Detalhes de rota alternativa/combustível/seguro | Plausível, mas sem fonte direta | Não encontrado na pesquisa |
| Aviso de desaceleração do comércio da UNCTAD | Parcialmente confirmado | Contexto da UNCTAD/Banco Mundial |
| Dilema de inflação de custos para bancos centrais | Confirmado | Análise macroeconômica padrão, apoiada pelo contexto |
A inflação dos custos de frete desencadeada pelo fechamento de Ormuz não é um problema passageiro. Com as travessias de navios a uma fração dos níveis pré-crise, as taxas de contêineres em máximas de vários anos e sobretaxas de emergência sendo aplicadas a cada contêiner que transita pelas rotas afetadas, as pressões de custos estão alimentando diretamente as cadeias de suprimentos globais. Os bancos centrais enfrentam um dilema sem solução clara — e o consumidor sentirá o impacto em cada prateleira.