De acordo com a reportagem da Politico sobre as conclusões da GSMA Intelligence, o custo total se divide da seguinte forma :
Essas três categorias somam o total de €30 a €40 bilhões.
Além dos custos diretos de substituição, a GSMA projeta €8,5 bilhões adicionais em custos indiretos de 2027 a 2030 devido à redução da concorrência entre fornecedores. A lógica é que, ao excluir Huawei e ZTE, o mercado de fornecedores encolheria, levando a preços mais altos dos fornecedores restantes (principalmente Nokia e Ericsson) e menor pressão competitiva sobre os preços dos equipamentos .
Vários analistas e pesquisadores independentes contestaram veementemente os números da GSMA.
Hosuk Lee-Makiyama, diretor do European Centre for International Political Economy (ECIPE), disse à Politico que as estimativas da GSMA são "brutas, não incrementais" — argumentando que o relatório falha em deduzir os custos de substituição que ocorreriam de qualquer forma como parte das atualizações normais de rede . O trabalho do ECIPE já havia alertado que proibições generalizadas baseadas em segurança impõem custos desproporcionais às operadoras europeias e correm o risco de atrasar a implantação do 5G sem ganhos proporcionais de segurança
.
De forma ainda mais contundente, a empresa independente de pesquisa do setor Strand Consult publicou uma contra-análise estimando o custo real de substituição em apenas US$ 3,5 bilhões (cerca de €3,2 bilhões na época) — aproximadamente 1/16 do valor apontado pela GSMA . A análise da Strand Consult, que foi apresentada à ENISA (Agência da União Europeia para a Cibersegurança), argumentou que a GSMA havia superestimado enormemente tanto o volume de equipamentos Huawei/ZTE já implantados quanto a complexidade da substituição
. A Strand Consult observou que, nos três anos anteriores (até 2019), as operadoras europeias haviam comprado cerca de US$ 8,75 bilhões em equipamentos de rede de acesso via rádio (RAN), com 40% vindos da Huawei e ZTE — sugerindo que a base substituível era muito menor do que a GSMA implicava
.
A disputa central é metodológica: estudos encomendados por operadoras geram números elevados que apoiam argumentos por compensação da UE ou atraso político, enquanto analistas independentes e pró-concorrência produzem números muito menores, sugerindo que a proibição é administrável.
Vários fatores levantaram preocupações sobre a credibilidade das projeções de custo da GSMA:
A Huawei é membro: A GSMA é uma associação comercial global cujos membros incluem a própria Huawei, juntamente com as operadoras europeias que encomendaram o relatório. Isso cria um conflito inerente — o número principal do relatório serve aos interesses políticos tanto da Huawei (que se beneficia de números altos de "custo de remoção" que podem desencorajar proibições) quanto das operadoras (que querem uma compensação maior da UE) .
O precedente de 2019: Em junho de 2019, a GSMA projetou que banir fornecedores chineses do 5G europeu adicionaria €55 bilhões (US$ 62 bilhões) em custos e atrasaria a implantação em 18 meses . Naquele mesmo ano, a Strand Consult publicou sua contra-análise estimando o custo real de substituição em apenas US$ 3,5 bilhões — cerca de 1/16 do valor da GSMA
.
Um padrão recorrente: Críticos argumentam que a GSMA tem um histórico consistente de produzir estimativas de custo elevadas que se alinham aos interesses de lobby de seus membros, enquanto analistas independentes produzem números muito menores .
O debate sobre os custos está ocorrendo em meio a um cenário regulatório que se torna rapidamente mais rigoroso.
Revisão da Lei de Cibersegurança (proposta em janeiro de 2026): A Comissão Europeia apresentou uma revisão da Lei de Cibersegurança da UE em janeiro de 2026, com o objetivo de permitir a exclusão obrigatória de "fornecedores de alto risco de países terceiros" das redes de telecomunicações móveis e outras infraestruturas críticas . A lei foi elaborada para ir além de recomendações não vinculativas e estabelecer proibições legalmente executáveis.
Cobertura em 18 setores: Um estudo separado da KPMG, encomendado pela Câmara de Comércio da China para a UE (CCCEU), estimou que a eliminação gradual de fornecedores chineses em 18 setores críticos da UE entre 2026 e 2030 custaria €367,8 bilhões — ilustrando a enorme escala do impulso regulatório mais amplo .
Recomendação da Comissão em maio de 2026: Em 4 de maio de 2026, a Comissão Europeia recomendou formalmente que os estados-membros excluíssem os equipamentos da Huawei e ZTE de suas infraestruturas de conectividade, marcando uma escalada significativa das diretrizes voluntárias anteriores em direção a regras vinculativas sob o novo marco da Lei de Cibersegurança .
Parecer do advogado-geral do tribunal da UE em março de 2026: Consistente com a jurisprudência anterior do Tribunal de Justiça da UE, o raciocínio confirma amplamente que os estados-membros podem impor proibições a fornecedores com base na segurança nacional, desde que sejam proporcionais e não discriminatórias.
Compromisso da Alemanha em 2024: A Alemanha concordou em 2024 em remover os componentes da Huawei de suas redes 5G até o final de 2026, como parte de um acordo gradual entre o governo alemão e operadoras como a Deutsche Telekom.
| Item | GSMA Intelligence (Julho/2026) | Comissão Europeia | Strand Consult (2019) |
|---|---|---|---|
| Custo direto total | €30–40 bilhões | €10–13 bilhões | ~US$ 3,5 bilhões (€3,2 bilhões) |
| Redes móveis | €16–22 bilhões | N/D | N/D |
| Redes fixas | €5 bilhões | N/D | N/D |
| Redes de transporte | €9–12 bilhões | N/D | N/D |
| Custos indiretos (2027–2030) | €8,5 bilhões | N/D | N/D |
O valor de €30–40 bilhões é melhor compreendido como um ponto em um amplo espectro de estimativas críveis, e não como um custo objetivo. A disputa não é apenas sobre os números, mas sobre metodologia e interesses: estudos encomendados por operadoras geram números elevados que apoiam argumentos por financiamento da UE ou atraso político; analistas independentes e pró-concorrência produzem números muito menores que sugerem que a proibição é administrável. À medida que os formuladores de políticas da UE avançam para tornar as exclusões de fornecedores legalmente vinculativas, o custo real só se tornará claro quando a primeira onda de substituições for concluída.